A angústia de castração ocupa um lugar central na metapsicologia freudiana e nas elaborações posteriores da psicanálise, especialmente em Lacan. Longe de se reduzir a um “medo de mutilação” em sentido estritamente corporal, ela remete a uma experiência estrutural de perda, de ameaça dirigida ao estatuto fálico do sujeito, articulando-se à diferença sexual, ao complexo de Édipo, à constituição do supereu e à própria entrada na ordem simbólica. Falar em angústia de castração, portanto, implica manter a precisão da terminologia psicanalítica: falo, falta, objeto, desejo, lei, gozo, significante, não como metáforas vagas, mas como operadores conceituais rigorosos.
Freud introduz o complexo de castração no contexto de sua teoria da sexualidade infantil, especialmente a partir dos “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade” (1905) e dos textos sobre o complexo de Édipo e a diferença sexual, como “A organização genital infantil” (1923) e “Algumas consequências psíquicas da diferença anatômica entre os sexos” (1925). A angústia de castração aparece, então, como uma forma específica de angústia, ligada à ameaça de perda do pênis para o menino e à constatação da falta de pênis na menina, com consequências distintas para a posição subjetiva de cada um. Mais tarde, em “Inibição, sintoma e angústia” (1926), Freud reformula a teoria da angústia, articulando-a ao eu e à função de sinal, o que permite situar a angústia de castração como um operador decisivo na economia defensiva do sujeito.
Lacan, por sua vez, ao retomar Freud, desloca o acento da castração do plano anatômico para o registro simbólico, introduzindo a noção de falo como significante privilegiado da falta no Outro. A angústia de castração deixa de ser pensada apenas como medo de perda de um órgão e passa a ser compreendida como angústia diante da perda de um lugar fálico, de um modo de se situar em relação ao desejo do Outro. Nos seminários sobre a angústia (notadamente o Seminário 10, “A angústia”, 1962‑63) e nos textos sobre a significação do falo (“A significação do falo”, 1958), Lacan radicaliza a leitura freudiana, mostrando que a castração é condição do desejo e que a angústia surge precisamente quando essa operação de perda não se inscreve ou vacila.
Angústia, castração e complexo de Édipo em Freud
Para Freud, a angústia de castração está intrinsecamente ligada ao complexo de Édipo. No menino, o Édipo se organiza em torno do desejo pela mãe e da rivalidade com o pai, que é percebido como aquele que detém o poder e a autoridade. A ameaça de castração, formulada ou suposta na figura paterna, funciona como o fator que leva o menino a renunciar aos desejos incestuosos e a identificar-se com o pai. A angústia de castração, nesse sentido, é o afeto que acompanha a percepção de que o desejo pela mãe tem um preço: a perda do pênis, isto é, a perda do órgão que, para o menino, condensa o valor fálico.
Freud descreve esse processo de forma exemplar em “Algumas consequências psíquicas da diferença anatômica entre os sexos” (1925). O menino, ao constatar a ausência de pênis na menina, conclui que ela foi castrada e passa a temer o mesmo destino para si. A ameaça de castração, muitas vezes veiculada em proibições parentais ligadas à masturbação infantil, encontra aí um suporte imaginário: o corpo da menina testemunha, para o menino, a realidade da castração. A angústia de castração é, então, a resposta afetiva à possibilidade de que o pai, ou a autoridade que o representa, execute a ameaça.
No caso da menina, a situação é mais complexa. Freud insiste que a menina não experimenta a angústia de castração nos mesmos termos que o menino, pois ela não teme perder o pênis, mas constata que não o possui. Essa constatação dá origem ao que Freud chama de “inveja do pênis” e reorganiza o Édipo feminino: a menina se afasta da mãe, culpabilizada por não lhe ter dado o pênis, e se volta para o pai, que passa a ser o objeto de amor e a figura que detém o falo. A castração, aqui, não é vivida como ameaça, mas como fato consumado, o que não impede que a lógica fálica organize também a posição feminina, ainda que de modo distinto.
A angústia de castração, portanto, não é um fenômeno isolado, mas um momento decisivo na travessia edípica. Ela marca o ponto em que o sujeito se depara com a lei da proibição do incesto e com a necessidade de renunciar a certas satisfações pulsionais. Ao mesmo tempo, ela é o motor da formação do supereu: a internalização da autoridade paterna e das proibições que ela encarna é inseparável da experiência da castração. Em “O ego e o id” (1923), Freud mostra como o supereu se constitui a partir da identificação com o pai, identificação que só se torna possível após a renúncia edípica, isto é, após a submissão à castração.
Diferença sexual, falo e lógica da falta
A teoria freudiana da angústia de castração está ancorada na diferença anatômica entre os sexos, mas não se reduz a ela. Desde cedo, Freud percebe que o pênis, na criança, adquire um valor que ultrapassa o órgão em sua materialidade. Ele se torna o representante de um poder, de um prestígio, de um lugar privilegiado em relação ao amor e ao desejo do Outro. É nesse sentido que se pode falar em falo, ainda que Freud não sistematize o conceito como Lacan o fará mais tarde.
A diferença sexual, para Freud, é inicialmente apreendida pela criança em termos de presença ou ausência de pênis. Essa oposição binária organiza as primeiras teorizações infantis sobre a sexualidade e a origem dos bebês. A criança, ao comparar os corpos, constrói hipóteses sobre o que aconteceu com o órgão ausente: ele foi cortado, arrancado, punido. A castração, assim, é primeiramente uma teoria infantil, uma construção fantasmática que tenta dar conta da diferença sexual. A angústia de castração é o correlato afetivo dessa teoria: se o outro foi castrado, eu também posso ser.
Lacan retoma essa problemática deslocando o foco da anatomia para a estrutura simbólica. Em “A significação do falo” (1958), ele afirma que o falo não é o órgão, mas um significante, o significante do desejo do Outro. O que está em jogo na castração não é a perda real do órgão, mas a perda do lugar de objeto privilegiado do desejo do Outro. A criança, ao entrar na linguagem e na ordem simbólica, é confrontada com a falta no Outro, com o fato de que o Outro não é completo, não possui o significante último que garantiria a consistência do sentido. O falo, como significante, vem justamente marcar essa falta, funcionando como operador da castração simbólica.
Nessa perspectiva, a diferença sexual não se reduz à oposição anatômica, mas se articula à posição que o sujeito ocupa em relação ao falo: ter ou ser o falo, na fórmula lacaniana. A posição masculina se organiza em torno da pretensão de ter o falo, isto é, de se apresentar como aquele que detém o significante do desejo. A posição feminina, por sua vez, é pensada em termos de ser o falo, de encarnar para o Outro o objeto que supostamente completaria sua falta. Em ambos os casos, a castração é a operação que impede a realização dessa completude: ninguém tem o falo de forma plena, ninguém é o falo de maneira definitiva. A angústia de castração emerge quando essa impossibilidade estrutural se torna patente.
Angústia de castração, sinal de angústia e defesas do eu
Em “Inibição, sintoma e angústia” (1926), Freud reformula sua teoria da angústia, deslocando o acento da ideia de angústia como transformação direta da libido para a concepção de angústia como sinal. A angústia deixa de ser apenas o resultado de uma acumulação de excitação sexual não descarregada e passa a ser entendida como um aviso do eu diante de um perigo. Esse perigo pode ser externo (ameaça real), pulsional (irrupção de uma exigência pulsional que ameaça romper a repressão) ou ligado à castração (perda de amor, perda do objeto, perda do amor do supereu).
A angústia de castração, nesse contexto, é uma forma específica de sinal de angústia. Ela indica ao eu que uma determinada satisfação pulsional (por exemplo, o desejo incestuoso) implica o risco de perda do pênis, da integridade corporal, do amor do Outro ou da autoestima. O eu, diante desse sinal, mobiliza mecanismos de defesa: repressão, formação de sintoma, recalcamento, deslocamento, entre outros. A angústia de castração, portanto, não é apenas um afeto paralisante, mas um operador dinâmico que organiza a economia defensiva do sujeito.
Freud mostra, por exemplo, como certas fobias infantis podem ser compreendidas como formações substitutivas da angústia de castração. O medo de um animal (cavalo, cachorro, etc.) pode encobrir o medo do pai castrador, deslocando a angústia de castração para um objeto externo. O caso do pequeno Hans é paradigmático: a fobia de cavalos é interpretada por Freud como uma forma de lidar com a angústia de castração ligada ao pai e ao desejo pela mãe. O sintoma fóbico, assim, é uma solução de compromisso que permite ao sujeito evitar o confronto direto com a castração, ao preço de uma limitação de sua liberdade.
A angústia de castração também está na base de muitas formações obsessivas. O obsessivo, frequentemente, tenta evitar a castração por meio de rituais, pensamentos compulsivos, dúvidas intermináveis. Ele busca garantir, por meio de operações simbólicas e imaginárias, que a perda não ocorra, que o falo seja preservado. No entanto, essa tentativa de escapar à castração acaba por aprisioná-lo em uma rede de obrigações e proibições autoimpostas, que testemunham justamente a eficácia da castração simbólica. A angústia, nesse caso, aparece tanto como sinal de perigo quanto como efeito da impossibilidade de controlar totalmente a perda.
Releituras lacanianas da castração e da angústia
Lacan dedica um seminário inteiro à angústia (Seminário 10, 1962‑63), no qual retoma e radicaliza a teoria freudiana. Uma de suas teses centrais é que a angústia não é sem objeto. Contra a ideia de uma angústia “sem objeto” ou “flutuante”, Lacan afirma que a angústia está sempre referida a um objeto muito preciso: o objeto a, objeto causa do desejo. A angústia surge quando o objeto a se aproxima demais, quando a distância que o desejo mantém em relação a esse objeto é ameaçada. Em outras palavras, a angústia aparece quando o sujeito é confrontado com algo do real que escapa à simbolização.
A castração, nesse contexto, é pensada como operação simbólica que introduz uma falta estruturante. Ela é condição para que o desejo se organize em torno de um objeto que nunca é plenamente possuído. Quando a castração falha, quando a falta não se inscreve, o sujeito pode ser invadido por fenômenos de angústia que testemunham a irrupção do real sem mediação simbólica. A angústia de castração, então, não é apenas medo de perder algo, mas também medo de não perder, isto é, de ficar colado ao objeto, de ser tomado por um gozo sem limite.
Lacan também mostra que a angústia de castração está ligada à função do falo como significante da falta no Outro. Quando o sujeito se depara com a possibilidade de que o Outro não esteja castrado, isto é, de que o Outro seja completo, sem falta, a angústia se intensifica. Um Outro sem falta é um Outro absoluto, tirânico, que não deixa espaço para o desejo do sujeito. A castração do Outro, ao contrário, é o que garante que o desejo possa circular, que haja lugar para o sujeito. A angústia de castração, assim, pode ser lida como angústia diante da oscilação entre um Outro supostamente todo‑poderoso e um Outro barrado, castrado.
Nos desenvolvimentos posteriores, especialmente no Seminário 17 (“O avesso da psicanálise”, 1969‑70), Lacan articula a castração à lógica dos discursos e à função do mais‑de‑gozar. A castração é o que limita o gozo, o que impede que o sujeito se confunda com o objeto de gozo do Outro. A angústia aparece quando essa limitação vacila, quando o sujeito se vê reduzido à condição de objeto de gozo, sem a mediação do significante. A angústia de castração, então, é inseparável da angústia diante do gozo do Outro, diante da possibilidade de ser capturado por esse gozo.
Implicações clínicas da angústia de castração
Do ponto de vista clínico, a angústia de castração se manifesta de múltiplas formas: fobias, inibições sexuais, sintomas obsessivos, dificuldades de assumir posições de desejo, impasses na relação com a diferença sexual, entre outras. O analista, ao escutar o discurso do analisante, encontra frequentemente referências veladas à castração: fantasias de mutilação, sonhos de perda de dentes ou de partes do corpo, medos difusos ligados à sexualidade, sentimentos de humilhação ou desvalorização quando o sujeito se percebe “sem” algo que imagina que o outro possui.
Na clínica com homens, é comum que a angústia de castração se articule à dificuldade de sustentar uma posição viril que não seja imaginariamente garantida pelo pênis ou por atributos fálicos (sucesso profissional, poder, prestígio). A impotência sexual, por exemplo, pode ser lida como sintoma que condensa a angústia de castração: o sujeito teme não estar à altura do ideal fálico e, ao mesmo tempo, organiza seu gozo em torno dessa falha. A análise, nesse caso, não visa restaurar uma suposta potência perdida, mas permitir que o sujeito se desidentifique de um ideal fálico tirânico e encontre um modo singular de se situar em relação ao desejo e ao gozo.
Na clínica com mulheres, a angústia de castração pode aparecer sob a forma de uma reivindicação fálica insistente, de uma demanda de reconhecimento que visa tamponar a falta. Freud já havia notado, em “Análise terminável e interminável” (1937), que certas pacientes mantinham, ao final da análise, uma reivindicação fálica intransponível, o que o levou a falar de um “rochedo da castração”. Lacan retoma essa formulação para pensar os limites da análise quando o sujeito se fixa em uma posição de recusa da castração, seja pela via da reivindicação de ter o falo, seja pela via da recusa de renunciar a ser o falo para o Outro.
A angústia de castração também se faz sentir na transferência. O analista, ao ocupar o lugar de sujeito suposto saber, pode ser investido como aquele que detém o falo, aquele que teria a resposta última sobre o desejo do sujeito. A direção da cura, porém, implica justamente desinvestir esse lugar, fazer cair o suposto falo do analista, para que o sujeito possa confrontar-se com a própria falta e com a castração do Outro. Não é por acaso que Freud, em “Análise terminável e interminável”, situa a reivindicação fálica como um limite da análise: trata-se do ponto em que o sujeito resiste a reconhecer a castração, exigindo do analista um complemento impossível.
Por outro lado, a angústia de castração pode ser um operador clínico precioso. Quando ela emerge na sessão, seja sob a forma de um afeto intenso, seja por meio de formações do inconsciente, ela indica que algo da ordem da castração está em jogo, que uma certa defesa está vacilando. O manejo da transferência, nesse momento, exige que o analista não se apresente como aquele que poderia evitar a castração, mas tampouco como um agente de castração brutal. Trata‑se de sustentar um lugar que permita ao sujeito atravessar sua angústia, isto é, reconhecer a castração como condição de seu desejo, e não apenas como ameaça de perda.
Em termos mais amplos, a angústia de castração remete à relação do sujeito com a lei e com a cultura. A castração é a operação que introduz o sujeito na ordem simbólica, submetendo‑o a uma série de proibições e renúncias pulsionais. A angústia de castração, então, é também angústia diante da exigência de renunciar a certas formas de gozo em nome da vida em comum. Em contextos socioculturais em que as referências simbólicas se fragilizam, em que a função paterna é questionada ou esvaziada, a angústia de castração pode assumir formas novas, menos localizáveis, mas não menos intensas: angústias difusas, pânicos, sensação de desamparo diante de um Outro percebido ora como impotente, ora como excessivamente intrusivo.
A psicanálise, ao insistir na centralidade da castração, não propõe um retorno nostálgico a formas rígidas de autoridade, mas aponta para a necessidade de reconhecer a falta como estruturante. A angústia de castração, longe de ser um resíduo arcaico a ser eliminado, é um índice da relação do sujeito com essa falta. A clínica mostra que, quando a castração é recusada, o sujeito pode ser capturado por formas de gozo mortíferas; quando ela é reconhecida, abre‑se a possibilidade de um desejo menos submetido ao ideal fálico e mais afinado com a singularidade de cada um.
Referências bibliográficas
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