19/10/2026

O que significa Compulsão à Repetição para a Psicanálise?

O que significa Compulsão à Repetição para a Psicanálise?

No horizonte das nossas relações interpessoais, é comum observarmos pessoas que recaem sistematicamente nos mesmos desencontros amorosos, escolhem parceiros com dinâmicas idênticas de anulação ou se envolvem repetidamente em situações profissionais autofágicas. Diante de padrões tão nocivos, surge a pergunta sobre o que moveria o indivíduo a insistir no próprio martírio. A resposta clínica e metapsicológica para esse enigma reside no conceito fundamentado por Sigmund Freud e posteriormente reestruturado por Jacques Lacan: a compulsão à repetição.

Nos primeiros anos da clínica psicanalítica, presumia-se que a mente funcionava sob o império do princípio do prazer, um mecanismo cujo objetivo principal era manter a tensão psíquica no nível mais baixo possível. O sintoma, até então, era interpretado como uma formação de compromisso, um substituto disfarçado de um desejo reprimido que buscava satisfação indireta. Contudo, a prática clínica cotidiana começou a confrontar os analistas com fenômenos que desafiavam essa lógica hedonista. Os pacientes pareciam demonstrar uma obstinação surpreendente em reviver experiências dolorosas da infância durante o processo analítico.

O primeiro grande marco do conceito ocorreu no ensaio intitulado Recordar, Repetir e Elaborar, publicado em 1914. Nesse texto, Freud observou que o analisando, quando impedido de acessar determinado conteúdo reprimido pela via da lembrança verbalizada, não recordava o passado como uma memória consciente, mas o atuava no presente. Ele reproduzia esse conteúdo não como uma simples recordação, mas como uma ação efetiva, encenando sem saber a dinâmica infantil negligenciada. O indivíduo repetia sua história no lugar de lembrá-la, transformando a relação com o analista e com as pessoas do seu cotidiano em um palco de redenção fantasiada. Esse fenômeno, diretamente entrelaçado com a transferência clínica, mostrou que a resistência psíquica não agia apenas para esconder o passado, mas para trazê-lo à tona de forma atuarial e coercitiva.

Contudo, foi somente em 1920, com a publicação da obra revolucionária Além do Princípio do Prazer, que a investigação psicanalítica deu um salto conceitual definitivo. Impressionado com os efeitos neurológicos e psíquicos dos soldados sobreviventes da Primeira Guerra Mundial, bem como com certas brincadeiras infantis, o formulador da psicanálise percebeu que as neuroses traumáticas não se adequavam ao modelo econômico tradicional. Os sujeitos traumatizados retornavam obsessivamente, em seus sonhos e pesadelos, ao exato momento do impacto e do terror sofrido. Paralelamente, ao observar seu próprio neto brincar com um carretel de madeira preso a um barbante, lançando-o para longe e comemorando o seu retorno, Freud captou a tentativa infantil de simbolizar a ausência materna, transformando uma vivência passiva de abandono em um ato ativo de domínio.

Essas observações revelaram a existência de um impulso cego, uma força irredutível que operava de forma independente da busca por bem-estar. Ficou evidente que existia no psiquismo uma compulsão à repetição que se colocava acima do próprio princípio do prazer, revelando uma camada mais primitiva e arcaica da vida mental. Ao postular essa força, a psicanálise introduziu a dualidade entre as pulsões de vida e as pulsões de morte. Enquanto a pulsão de vida busca a ligação, a criação de sintonia e a preservação do ser, a pulsão de morte tende ao desligamento, à desintegração e ao retorno a um estado inanimado. A compulsão à repetição surge, nesse sentido, como o braço atuante da pulsão de morte, uma força silenciosa que compele o indivíduo a encenar e reencenar circuitos de dor e destruição.

Não se trata de dizer que o indivíduo deseja racionalmente o próprio sofrimento, mas sim que existe uma dimensão psíquica em que a dor gera uma satisfação de ordem inconsciente e obscura. Para explicar como o psiquismo lida com essa contradição, a psicanálise de orientação lacaniana reelaborou esse paradoxo introduzindo o conceito de gozo. Diferente do prazer convencional, que respeita limites e busca o equilíbrio, o gozo é uma satisfação pulsional excessiva, que ultrapassa a barreira do suportável e se manifesta como dor, sofrimento ou sintomas corporais devastadores. A compulsão à repetição torna-se, sob essa perspectiva, o modo primórdio pelo qual o sujeito se prende a uma modalidade de gozo que o escraviza. É uma forma de satisfação paradoxal da qual o indivíduo se queixa amargamente, mas da qual não consegue se desfazer com facilidade, pois está enraizada nas marcas primordiais da sua constituição subjetiva.

A fixação no trauma e a repetição contínua revelam uma tentativa desesperada do aparelho psíquico de dominar uma cota de excitação que não pôde ser devidamente assimilada na época em que ocorreu. Quando um evento vivenciado na infância ou em um momento de vulnerabilidade não encontra palavras ou representações simbólicas suficientes para ser processado, ele permanece como um caroço inassimilável no interior do psiquismo. O trauma age como uma cicatriz não cicatrizada, uma ferida aberta que exige energia do aparelho psíquico sem trégua. O sujeito, sem compreender as razões de suas atitudes, reedita as condições daquela experiência traumática na esperança inconsciente de dar um desfecho diferente ao enredo, mas acaba invariavelmente tropeçando no mesmo desfecho doloroso, num ciclo que se assemelha a uma estranha forma de condensação existencial.

Na vida cotidiana, a compulsão à repetição pode se expressar de maneiras extremamente sutis e disfarçadas. Vemos essa força atuar nas chamadas neuroses de destino, nas quais a pessoa parece ser perseguida por um azar implacável e crônico. São indivíduos que constroem amizades que sempre os traem, empreendedores que sistematicamente falhem às vésperas do êxito, ou pessoas que escolhem parceiros amorosos que reeditam a frieza e o abandono vividos na relação com os pais. Ao olhar de fora, parece haver uma conspiração do destino contra aquela existência, mas o olhar clínico percebe a orquestração minuciosa e inconsciente do próprio sujeito, que conduz as situações de tal modo que o resultado doloroso seja reencontrado. O sujeito vive sob a ilusão da novidade, acreditando sinceramente estar diante de um novo capítulo, quando na verdade está apenas reencenando uma velha peça cujas linhas foram escritas em sua infância.

A articulação desse mecanismo revela a força da interdição e da culpa inconsciente na vida do sujeito. Frequentemente, a repetição atua como um modo reprimido de autocastigo. Diante do sucesso, da felicidade ou da estabilidade emocional, o psiquismo movido por uma culpa arcaica pode acionar a compulsão à repetição para sabotar a realização alcançada, restaurando o estado familiar de sofrimento. Nesses casos, o sofrimento funciona como um tributo pago a um juiz interno implacável, o supereu, que exige a renúncia ao prazer consciente para manter o sujeito preso às suas cadeias originais. Trata-se de uma dívida subjetiva contínua que o indivíduo tenta quitar por meio do próprio sacrifício, sem nunca alcançar a libertação definitiva, em um ciclo contínuo de expiação.

Essa atração magnética pelo sofrimento infantil não elaborado decorre do fato de que o psiquismo prefere o sofrimento conhecido à incerteza de um modo novo de existência. O sintoma, por mais doloroso que seja, oferece uma identidade ao sujeito, uma posição estruturada no mundo. Abandonar a repetição implica atravessar o luto pelas expectativas infantis não atendidas e aceitar a falta estrutural que habita a condição humana. Mudar exige abandonar a ilusão de que um dia o passado poderá ser reescrito para alcançar um final perfeito. Enquanto o sujeito nutre a esperança inconsciente de reparar os danos originais pela via da atuação, ele permanece acorrentado ao mesmo círculo vicioso.

É precisamente nesse cenário que a clínica psicanalítica intervém. O espaço de uma análise oferece um lugar único para que o sujeito possa falar sobre o seu sofrimento e, ao fazê-lo, desarmar os gatilhos da repetição. Na transferência com o psicanalista, a compulsão à repetição é inevitavelmente convocada a se manifestar. O paciente tenta transformar o analista em mais um personagem de seu drama antigo, projetando nele expectativas, rejeições e cobranças que pertenceram às suas figuras de apego primárias. No entanto, diferente dos outros atores da vida do paciente, o analista recusa o papel que lhe é oferecido na encenação. Ao invés de redefinir ou reagir à provocação inconsciente da mesma forma que os outros reparam, o analista acolhe a manifestação, aponta a sua recorrência e oferece a escuta.

Essa mudança de atitude por parte do profissional rompe o circuito fechado da repetição. A intervenção analítica visa transformar o ato cego em palavra, permitindo que aquilo que antes era atuado sem pensar possa ser finalmente nomeado, sentido e elaborado. Quando o sujeito consegue colocar em palavras a dor original que motivava o movimento compulsivo, a necessidade de repetir começa a perder a sua força avassaladora. O processo de cura em psicanálise não significa apagar o passado ou prometer uma vida isenta de conflitos, mas em libertar o sujeito da obrigação inconsciente de reviver eternamente os seus traumas. Trata-se de facultar ao indivíduo a chance de escolher novos caminhos, desatando os nós que o amarravam à sua dor primordial.

Referências Bibliográficas

  • FREUD, S. Além do princípio de prazer. 1. ed. Belo Horizonte-MG: Autêntica, 2020.
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  • LACAN, J. O Seminário, Livro 11: Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.
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  • BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 40. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2024.
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  • LAPLANCHE, J.; PONTALIS, J-B. Vocabulário da psicanálise. Tradução de Pedro Tamen. 1. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2022.
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  • DELEUZE, G. Diferença e repetição. Tradução de Luiz Orlandi e Roberto Machado. 9. ed. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 2018.
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  • NASIO, J.-D. Por que repetimos os mesmos erros. Tradução de Luiz Orlandi e Roberto Machado. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.
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18/10/2026

Quem é Escamandro (Σκάμανδρος) na Mitologia Grega?

Quem é Escamandro (Σκάμανδρος) na Mitologia Grega?

Conforme a cosmogonia tradicional registrada por Hesíodo em sua Teogonia, os rios do mundo habitado possuíam linhagens nobres e veneráveis, sendo Escamandro gerado pela união primordial entre Oceano e Tétis. Essa ascendência titânica colocava o deus fluvial entre as divindades aquáticas de maior respeito, detentor de um fluxo que transcendia a mera utilidade agrícola ou urbana para se conectar aos mistérios da criação cósmica. Na dualidade que frequentemente caracterizava a nomenclatura mítica, a tradição oral e literária registrava que o rio era chamado de Escamandro pelos homens mortais, enquanto as divindades olímpicas o denominavam Xanto. Esta última alcunha fazia alusão direta à coloração ou à percepção luminosa de suas águas, ou ainda servia como um lembrete constante de sua estirpe superior quando comparado aos cursos de água efêmeros e puramente terrestres. A geografia real correspondente a esse mito situa-se na atual região da Turquia, onde o rio historicamente conhecido como Kara Menderes desaguava nas proximidades da antiga cidadela troiana, servindo como artéria vital para o ecossistema e para a subsistência dos povos dardanianos.

A importância de Escamandro estende-se muito além de sua fluidez geográfica, penetrando profundamente na árvore genealógica da realeza troiana e na fundação de sua estirpe. De acordo com relatos transmitidos por historiadores e mitógrafos posteriores, como Dionísio de Halicarnasso, o deus fluvial desempenhou um papel ancestral na formação da linhagem que culminaria nos heróis de Troia. A mitologia atribui a Escamandro a paternidade de figuras importantes, incluindo a ninfa Calírroe, que, ao se unir a Erictônio, integrou o sangue do rio à dinastia fundadora da cidade. Além disso, ninfas locais e mortais associadas à sua bacia hidrográfica geraram proles que governaram a região, estabelecendo um vínculo indissolúvel entre a soberania política de Troia e a benevolência do deus das águas. Em algumas variantes lendárias, a própria nascente sagrada do rio teria sido escavada pelas mãos heróicas de Hércules, unindo os maiores arquétipos da força física e da resistência helênica em uma mesma narrativa de fundação e respeito territorial.

O ápice dramático da mitologia de Escamandro manifesta-se com vigor incomparável na Ilíada de Homero, particularmente nos cantos em que a fúria da Guerra de Troia transborda para o leito sagrado do rio. Durante os combates encarniçados que marcaram o final do cerco, o herói grego Aquiles, impelido por um rancor inexorável e enlutado pela morte de Pátroclo, abateu um número incomensurável de troianos cujos corpos foram precipitados diretamente nas águas de Escamandro. O acúmulo massivo de cadáveres e a poluição decorrente do banho de sangue corromperam a pureza do curso d'água, despertando a ira profunda do deus fluvial. Sentindo seu domínio profanado e incapaz de tolerar a carnificina que sufocava o seu leito, Escamandro ergueu-se em toda a sua majestade divina, assumindo forma antropomórfica para admoestar Aquiles e exigir o fim daquela matança desmedida que ameaçava o equilíbrio natural e a própria existência do povo troiano que ele jurara proteger.

Diante da recusa altiva de Aquiles em cessar o massacre, o conflito entre o mortal e a divindade escalou para uma batalha de proporções titânicas. Escamandro convocou suas torrentes e transbordou furiosamente de suas margens, investindo contra o pelida com ondas avassaladoras e correntezas turbulentas destinadas a arrastar e sepultar o herói grego no fundo do mar. O confronto ilustra com clareza o tema recorrente da hybris humana frente aos poderes elementares da natureza, mostrando como a fúria de um herói épico pode desestabilizar a ordem cósmica. Encurralado pelas águas revoltas e quase sufocado pela torrente impetuosa, Aquiles clamou por auxílio aos deuses do Olimpo, recebendo o socorro imediato de Hefesto, o deus do fogo. Numa das cenas mais visuais e dramáticas da literatura universal, Hefesto arremessou labaredas abrasadoras e chamas inextinguíveis sobre a planície, fervendo as águas do rio, carbonizando os cadáveres que ali jaziam e forçando o orgulhoso Escamandro a recuar, subjugado pelo poder implacável do fogo divino.

A derrota temporária de Escamandro perante o fogo de Hefesto não diminuiu, contudo, o seu status perante a consciência mítica dos gregos, mas antes consolidou a sua imagem como uma força indomável da natureza que apenas a intervenção combinada de outra grande divindade poderia conter.

Referências Bibliográficas

  • GRIMAL, P. Dicionário da mitologia grega e romana. Tradução de Victor Jabouille. 7. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1993.
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  • HESÍODO. Teogonia: A Origem dos Deuses. Tradução de Jaa Torrano. São Paulo: Editora Iluminuras, 2000.
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  • HOMERO. Ilíada. Tradução de Frederico Lourenço.1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
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  • VERNANT, J-P. O Universo, os Deuses, os Homens. Tradução de Rosa Freire Aguiar. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
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17/10/2026

Revista Kairós da Faculdade Católica de Fortaleza abre chamada para submissão de artigos e trabalhos em Filosofia e Teologia

Revista Kairós da Faculdade Católica de Fortaleza abre chamada para submissão de artigos e trabalhos em Filosofia e Teologia

A Revista Kairós, periódico acadêmico vinculado à Faculdade Católica de Fortaleza e classificado como Qualis A4, está com chamada aberta para o recebimento de artigos originais, resenhas críticas e traduções para a composição de sua próxima edição. A iniciativa é voltada a pesquisadores, docentes e estudantes de pós-graduação das áreas de Filosofia e Teologia que desejam divulgar os resultados de suas investigações científicas, apresentar reflexões críticas sobre obras recentes ou disponibilizar em língua portuguesa textos de relevante valor para o debate acadêmico contemporâneo.

Embora a publicação adote a temática livre, todas as contribuições submetidas devem obrigatoriamente manter vínculo direto com as discussões filosóficas ou teológicas. Vale destacar que a revista opera sob o regime de fluxo de publicação contínua. Contudo, os autores interessados em integrar o próximo número do periódico devem realizar a submissão de seus trabalhos impreterivelmente até o dia 10 de novembro de 2026, garantindo assim tempo hábil para o cumprimento de todas as etapas do processo editorial e de avaliação por pares.

Todas as orientações detalhadas referentes à normalização dos textos, às diretrizes formais para os autores e às especificidades do fluxo de avaliação técnica encontram-se totalmente acessíveis para consulta direta no site oficial da Revista Kairós.

Quem é Alcínoo na Mitologia Grega?

Quem é Alcínoo na Mitologia Grega?

Na tradição épica transmitida principalmente pela Odisseia de Homero, ele Alcínoo é filho de Nausítoo e neto do próprio deus Poseidon, o poderoso senhor dos mares, o que confere à linhagem real uma aura simultaneamente divina e marítima. O povo feácio, governado por Alcínoo, habitava originariamente a região de Hipéreia, mas, devido à constante pressão e às ameaças dos Ciclopes, criaturas dotadas de imensa força física e destituídas de laços civilizatórios, Nausítoo liderou a migração de toda a comunidade para a distante e isolada ilha de Esquéria. Nesse refúgio protegido pelas marés, os feácios desenvolveram uma civilização singular, marcada por extraordinária prosperidade material, palácios opulentos, jardins exuberantes e, acima de tudo, uma habilidade náutica sem precedentes no mundo conhecido, capaz de dispensar o uso de lemes ou timões em suas embarcações velozes e inteligentes.

O momento de maior proeminência de Alcínoo na mitologia ocorre quando o herói Odisseu, após naufragar e lutar furiosamente contra as tormentas enviadas por Poseidon, consegue alcançar exausto as praias de Esquéria. Despojado de suas riquezas, coberto de sal e lama, e reduzido à mais absoluta vulnerabilidade, o rei de Ítaca é encontrado pela jovem princesa Nausícaa, filha de Alcínoo, que, guiada por inspiração divina, acolhe o estrangeiro e o orienta a buscar o palácio real. É nesse ponto que a figura de Alcínoo se sobressai de maneira brilhante, pois, ao receber em sua corte o homem maltrapilho cuja identidade ainda permanece oculta, o monarca não demonstra desdém ou desconfiança excessiva, mas sim a mais pura e irrestrita prática da xenia, o sagrado código grego de hospitalidade que obriga o anfitrião a proteger, alimentar e honrar o hóspede antes de indagar seu nome ou procedência.

No palácio de Alcínoo, a recepção converte-se em um verdadeiro banquete de civilização. O rei ordena que se preparem banquetes pródigos, oferece vestimentas limpas e promove celebrações com cantos e danças executadas pelos melhores bardos da ilha. É particularmente comovente e significativo o episódio em que o aedo Demódoco entoa canções sobre os sofrimentos dos heróis na Guerra de Troia, levando o próprio Odisseu a derramar lágrimas ocultas ao escutar suas próprias façanhas imortalizadas em versos. Observando a comoção do misterioso visitante, Alcínoo demonstra uma sensibilidade ímpar: interrompe o canto, demonstra respeito profundo pela dor do hóspede e, com extrema delicadeza, finalmente convida-o a revelar sua verdadeira identidade e a narrar as provações por que tem passado.

A narrativa subsequente de Odisseu perante a corte de Alcínoo constitui um dos núcleos mais fascinantes de toda a literatura grega, englobando os relatos sobre os Ciclopes, a feiticeira Circe, as Sereias e a descida ao Hades. Durante todo esse tempo, Alcínoo atua tanto como um ouvinte atento e fascinado, como o guardião generoso que valida a dignidade do herói. A postura do soberano feácio contrasta fortemente com a brutalidade e a inospitalidade demonstradas por outros personagens encontrados por Odisseu em suas longas andanças, reafirmando que a verdadeira grandeza de um governante reside na magnanimidade, na justiça e no respeito pelos desamparados enviados pelos deuses.

Além de sua hospitalidade, Alcínoo é cercado por uma família notável e por uma corte harmoniosa. Ele é casado com a rainha Arete, uma mulher dotada de tamanha sabedoria e autoridade moral que o próprio povo de Esquéria a reverenciava como a uma divindade e recorria a ela para a solução de litígios e disputas políticas. Juntos, Alcínoo e Arete fomentaram um ambiente de paz, onde a arte, a navegação e o deleite estético coexistiam em perfeita harmonia, fazendo de Esquéria um reduto quase utópico em meio a um mundo dilacerado por guerras, rivalidades cruéis e dissabores divinos.

Cumprindo o seu papel de anfitrião supremo, Alcínoo não se limita a oferecer abrigo e escuta compassiva; ele assume o compromisso irrevogável de garantir o retorno seguro de Odisseu à sua terra natal. Para isso, mobiliza os célebres navios feácios, embarcações mágicas que cruzam os mares em velocidade fulminante, transportando o herói adormecido diretamente para as praias de Ítaca. Esse ato de solidariedade marítima, contudo, acarreta consequências drásticas, pois ao retornar para o porto de Esquéria, a embarcação que transportara Odisseu é petrificada por Poseidon, irado pelo fato de seu próprio sangue ter auxiliado o rival, cumprindo assim uma antiga profecia que previa o isolamento da ilha por altas montanhas de pedra. Apesar da advertência divina e do revés iminente, Alcínoo mantém-se firme em seus princípios éticos, demonstrando que a lealdade à hospitalidade sagrada está acima do temor aos caprichos dos deuses.

Referências Bibliográficas

  • BRANDÃO, J. S. Mitologia grega. 21ª ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2015. 3 v.
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  • HOMERO. Odisseia. Tradução de Frederico Lourenço. 1. ed. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2011.
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  • GRIMAL, P. Dicionário da mitologia grega e romana. Tradução de Victor Jabouille. 7. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1993.
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  • HESÍODO. Teogonia: A Origem dos Deuses. Tradução de Jaa Torrano. São Paulo: Editora Iluminuras, 2000.
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16/10/2026

Quem são os Argonautas (Ἀργοναῦται Argonautai) na Mitologia Grega?

Quem são os Argonautas (Ἀργοναῦται Argonautai) na Mitologia Grega?

O termo Argonautas designa os tripulantes da nau Argo, um navio mitológico construído com a intervenção direta da deusa Atena e projetado para empreender uma viagem considerada impossível. Liderados pelo herói Jasão, esses heróis notáveis uniram-se em uma missão: navegar desde Iolcos, na Tessália, até as distantes e misteriosas terras da Cólquida, situadas nas margens do Mar Negro, com o objetivo de resgatar o cobiçado Velocino de Ouro, também conhecido como Velo de Ouro. Esta jornada não representa apenas um feito físico de navegação e combate, mas consagra-se como o arquétipo primordial da viagem heroica coletiva, antecedendo inclusive a famosa Guerra de Troia e reunindo a nata dos heróis de uma geração anterior à de Aquiles e Odisseu.

Na cidade de Iolcos, o trono pertencia por direito a Esão, mas o poder foi usurpado por seu meio-irmão Pélias. Para salvaguardar a vida de seu herdeiro legítimo, Jasão foi enviado ainda criança para ser criado pelo centauro Quíron, célebre por sua sabedoria e por instruir os maiores heróis da Hélade. Anos mais tarde, já adulto e determinado a reclamar a herança que lhe pertencia por sangue, Jasão retornou a Iolcos. No entanto, um aviso oracular pesava sobre Pélias, alertando-o para que temesse um homem que se apresentasse calçado com apenas uma sandália. Ao cruzar um rio caudaloso no caminho para a cidade, Jasão ajudou uma velhinha, que na verdade era a deusa Hera, protetora implacável de muitos heróis, e, no esforço da travessia, perdeu uma de suas sandálias na lama. Quando se apresentou perante o usurpador com o pé descalço, Pélias compreendeu o perigo, mas arquitetou um plano astuto: concordou em devolver a coroa sob a condição de que Jasão realizasse uma empresa supostamente suicida, a de recuperar o Velocino de Ouro.

O Velocino de Ouro era a pele de carneiro alado que pertencera a Crisómalo, animal enviado por Hermes para salvar Frixo e Hele do sacrifício iminente. Ao chegar à Cólquida, Frixo sacrificou o carneiro a Zeus e ofereceu o velo dourado ao rei Eetes, pendurando-o em um carvalho sagrado dentro de um bosque dedicado a Ares, onde era permanentemente vigiado por um dragão colossal que jamais dormia. Sob a supervisão de Jasão, o mestre construtor Argos erigiu a nau Argo, uma embarcação inovadora equipada com cinquenta remos e dotada de um pedaço de madeira falante retirado do carvalho oracular de Dodona na sua proa, capaz de emitir profecias e orientar os navegantes.

Jasão convocou os maiores expoentes da mitologia. Entre os cinquenta tripulantes que embarcaram na nau figuravam nomes lendários como Héracles, acompanhado por seu jovem escudeiro Hilas; os gêmeos Dioscuros, Castor e Pólux, célebres por suas habilidades em combate e domínio de cavalos; Orfeu, o músico divino cuja lira mágica tinha o poder de enfeitiçar as feras, acalmar as tempestades e até mesmo embalar o sono do dragão guardião; Teseu, o futuro matador do Minotauro; Atalanta, a intrépida caçadora etólia; Peleu, pai de Aquiles; além de adivinhos renomados como Anfiarau e Idmon. Esta constelação de talentos singulares garantia que a expedição possuísse recursos para enfrentar tanto ameaças físicas quanto prodígios de natureza sobrenatural.

O trajeto percorrido pelos Argonautas foi pontuado por provações extraordinárias que testaram os limites da coragem humana e a coesão do grupo. Logo nas primeiras etapas, na ilha de Lemnos, os heróis depararam-se com uma comunidade habitada exclusivamente por mulheres, que haviam assassinado seus maridos devido à ira de Afrodite; dali resultou uma união temporária que garantiu a continuidade das linhagens. Posteriormente, na Mísia, a expedição sofreu perdas dolorosas quando o jovem Hilas foi seduzido e tragado pelas ninfas das fontes, levando Héracles e Polifemo a abandonarem a viagem para procurá-lo desesperadamente na floresta. Mais adiante, os navegantes enfrentaram o tirano Âmico na terra dos bébricios, um gigante arrogante que desafiava todos os forasteiros para o pugilato mortal e que acabou derrotado pelo vigor de Pólux. 

O périplo continuou com o encontro com o rei cego Fineu, atormentado pelas Harpias, criaturas aladas que roubavam ou contaminavam toda a comida que ele tentava ingerir. Com a ajuda dos filhos de Boreu, os ventos do norte que também integravam a tripulação, as Harpias foram afugentadas, e em gratidão Fineu revelou aos Argonautas o segredo para ultrapassar o obstáculo mais temido da rota: as Simplégades, rochas simpáticas ou rochas móveis que colidiam violentamente entre si, esmagando qualquer navio que ousasse cruzar o estreito. Seguindo o conselho do adivinho, os heróis soltaram uma pomba; ao verem que a ave atravessou perdendo apenas algumas penas da cauda, remaram com força sobre-humana e conseguiram romper o bloqueio, estabilizando permanentemente as rochas perigosas de acordo com as leis do destino. 

Ao chegarem finalmente à Cólquida, Jasão deparou-se com a hostilidade do rei Eetes, que recusou-se a entregar o Velocino de Ouro, impondo provas aparentemente intransponíveis. O herói precisaria subjugar dois touros ferozes de cascos de bronze que expeliam fogo pelas narinas, arar com eles um campo sagrado e semear os dentes de um dragão, dos quais brotaria instantaneamente um exército de guerreiros terrestres prontos para destruí-lo. É neste ponto crítico que a intervenção divina e a paixão humana alteram o curso da história. Sensibilizadas pela causa de Jasão, as deusas Hera e Atena apelaram a Afrodite para que seu filho Eros fizesse com que Medeia, a filha feiticeira do rei Eetes, se apaixonasse perdidamente pelo líder dos Argonautas. Dotada de vastos conhecimentos em poções e feitiçaria, Medeia forneceu a Jasão um unguento mágico que o tornou invulnerável ao fogo e ao ferro dos touros, além de orientá-lo a lançar uma pedra no meio dos guerreiros brotados da terra, fazendo com que lutassem entre si até a morte.

Apesar de cumprir todas as exigências de Eetes, Jasão percebeu que o rei planejava traí-lo e incendiar a nau Argo durante a noite. Com a ajuda decisiva de Medeia, que traiu a própria pátria e a família por amor, Jasão invadiu o bosque sagrado, adormeceu o dragão vigilante com os vapores de poções sopradas pela feiticeira e apropriou-se do cobiçado Velocino de Ouro. Imediatamente, a nau partiu em fuga vertiginosa, levando consigo a jovem princesa e seu irmão menor, Absirto. A viagem de regresso, conhecida na tradição mítica como a nostoi dos Argonautas, foi igualmente dificultosa e repleta de desvios geográficos fantásticos, exigindo que o navio navegasse por rios imensos da Europa central, contornasse as costas do Mediterrâneo ocidental, resistisse aos encantos mortais das Sereias, esquivasse-se dos monstros marinhos Cila e Caríbdis, e superasse o gigante de bronze Talos na ilha de Creta.

De volta a Iolcos, embora o Velocino tenha sido entregue a Pélias, a promessa do trono não foi cumprida de forma pacífica, desdobrando-se em tragédias familiares orquestradas pelas maquinações de Medeia.

Referências Bibliográficas

  • RODES, Apolônio de. Argonáuticas. 1. ed. São Paulo: Perspectiva, 2021.
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  • EURÍPIDES. Medeia. Tradução de Trajano Vieira. 1. ed. São Paulo: Editora 34, 2010.
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  • GRAVES, Robert. Os Mitos GregosBox com dois volumes. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2021.
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  • KERÉNYI, Karl. Mitologia dos gregos: A história dos heróis. 1. ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 2015.
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  • APOLODORO. Biblioteca mitológica. 1. ed. Madrid: Ediciones Akal, 2023.
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O que é o Tártaro (Τάρταρος) na Mitologia Grega?

O que é o Tártaro (Τάρταρος) na Mitologia Grega?

Nas narrativas fundacionais da tradição helênica, especialmente na Teogonia, de Hesíodo, o Tártaro figura em um duplo papel: ele é simultaneamente um deus primordial, gerado nas origens do cosmos a partir do Caos, e o abismo subterrâneo mais profundo que se possa conceber. A cosmologia dos antigos gregos concebia o universo de maneira simétrica e vertical. Segundo a célebre métrica hesiódica, a distância que separa a superfície da terra do Tártaro é equivalente àquela que vai da terra até o céu. Para ilustrar essa imensidão de forma concreta, os poetas épicos frequentemente recorriam à imagem de uma bigorna de bronze que, se lançada dos céus, cairia durante nove dias e nove noites até alcançar a superfície terrestre, e precisaria de mais nove dias e nove noites de queda ininterrupta para, finalmente, atingir as profundezas sombrias do Tártaro.

Essa imensidão é descrita nas fontes mitológicas como um local lúgubre, úmido, cercado por uma tripla camada de noite e revestido por raízes de terra e do mar estéril. Não se trata meramente de uma extensão do Hades, o reino subterrâneo comum que recebia as almas da generalidade dos mortais após o falecimento. O Hades e o Tártaro mantêm uma separação rigorosa na topografia sagrada dos antigos gregos. Enquanto o Hades funcionava como a morada genérica e sombria dos mortos, governado pelo deus homônimo e por sua consorte Perséfone, o Tártaro representava o ponto mais inferior e extremo do universo, operando estritamente como uma prisão de segurança máxima voltada para os inimigos mais perigosos do poder olímpico.

A função primária do Tártaro no mito grego antigo consistia em servir de cárcere para aquelas entidades cujo poder representava uma ameaça existencial ao equilíbrio do cosmos. O exemplo mais notório dessa dinâmica de confinamento envolve a queda dos Titãs. Após a brutal Titanomaquia, a década de guerra encarniçada travada entre a geração anterior dos deuses titânicos liderada por Cronos e a nova ordem ascendente comandada por Zeus, os vencidos foram sumariamente arremessados para as profundezas do Tártaro. Para garantir que jamais pudessem retornar à luz ou perturbar o firmamento, os deuses olímpicos cercaram o abismo com muralhas de bronze intransitáveis e colocaram os Hecatônquiros, gigantes de cem braços e cinquenta cabeças, como fiéis e implacáveis sentinelas de sua prisão perpétua.

Além dos Titãs, o Tártaro abrigou outras criaturas monstruosas que desafiaram a supremacia de Zeus e dos olímpicos. Um caso emblemático é o de Tífon, um monstro alado de proporções titânicas, gerado por Gaia em retaliação à derrota de seus filhos anteriores, que foi lançado no abismo após um combate titânico contra o senhor dos raios. Da mesma forma, figuras humanas que cometeram hybris, ou seja, uma insolência extrema e imperdoável contra a autoridade e as leis divinas, encontraram no Tártaro o cenário de suas punições eternas. Diferente do Hades, onde as almas vagavam como sombras melancólicas sem grandes tormentos físicos, o Tártaro era o local reservado para a retribuição exemplar, onde criminosos mitológicos de escol sofriam suplícios perpétuos que simbolizavam a justiça poética e a desproporção de seus atos em vida.

Entre os habitantes mais célebres submetidos aos tormentos do Tártaro figuram figuras como Sísifo, Tântalo e Íxion. Tântalo, cuja audácia incluiu desafiar a presciência dos deuses servindo-lhes a carne de seu próprio filho em um banquete, foi condenado a submergir em águas cristalinas sob o reflexo de árvores frutíferas, experimentando uma fome e uma sede eternas que jamais poderiam ser saciadas, pois a água recuava e os frutos se elevavam assim que ele tentava alcançá-los. Sísifo, rei de Corinto que enganou a própria morte por duas ocasiões, recebeu como pena empurrar incessantemente uma imensa rocha morro acima, apenas para vê-la rolar de volta à base todas as vezes em que se aproximava do cume. Íxion, por sua vez, foi atado a uma roda de fogo em eterno movimento giratório pelos ares do abismo como castigo por sua tentativa de seduzir Hera.

Com o passar dos séculos, a percepção cultural e religiosa a respeito do Tártaro sofreu transformações substanciais, absorvendo influências de correntes filosóficas e místicas como o Orfismo e o Pitagorismo, e posteriormente dialogando com a escatologia de outras civilizações na Antiguidade tardia. Se nos poemas homéricos e hesiódicos o local era estritamente uma prisão geopolítica para deuses destronados e grandes transgressores míticos, nas narrativas posteriores ele passou a ser encarado de forma mais ampla como o destino punitivo pós-morte para qualquer alma cujo comportamento terrenal estivesse maculado por crimes imperdoáveis contra a ética e a religiosidade helênica. Essa evolução conceitual pavimentou o caminho para que, no imaginário ocidental subsequente, o conceito de Tártaro fosse frequentemente assimilado ou comparado às ideias de inferno e condenação eterna.

Referências Bibliográficas

  • BULFINCH, T. O Livro da Mitologia: Histórias de Deuses e Heróis. Tradução de David Jardim. 2. ed. Rio de Janeiro: HarperCollins, 2017.
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  • ELIADE, M. Mito e realidade. 1. ed. São Paulo: Perspectiva, 2020.
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  • GRAVES, Robert. Os Mitos Gregos: Box com dois volumes. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2021.
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  • KÉRÉNYI, K. Os Deuses dos Gregos. São Paulo: Cultrix, 1997.
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  • VERNANT, J-P. O Universo, os Deuses, os Homens. Tradução de Rosa Freire Aguiar. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
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15/10/2026

Revista Transmutare Prorroga Prazo de Submissão para Dossiê sobre Inteligência Artificial e Docência no Ensino Superior

Revista Transmutare Prorroga Prazo de Submissão para Dossiê sobre Inteligência Artificial e Docência no Ensino Superior

A Revista Transmutare anunciou a prorrogação do prazo de submissão de artigos para o dossiê temático "Da Pedagogia Digital à Inteligência Artificial: Desafios da Docência no Ensino Superior". Os pesquisadores interessados em contribuir para esse debate fundamental sobre o futuro da educação universitária têm agora até o dia 20 de outubro de 2026 para enviar seus trabalhos inéditos.

O dossiê busca analisar criticamente as profundas transformações pelas quais passa a docência no ensino superior com a expansão acelerada da pedagogia digital e da Inteligência Artificial. A proposta incentiva reflexões abrangentes sobre os impactos epistemológicos, pedagógicos e institucionais dessas tecnologias no ambiente acadêmico, levantando questões essenciais sobre como a IA redefine o trabalho docente e quais são os limites e oportunidades no contexto universitário.

Entre os eixos temáticos de interesse para a publicação, destacam-se a pedagogia digital e os ecossistemas algorítmicos na universidade, o uso da Inteligência Artificial Generativa no ensino superior, as aplicações de IA na pesquisa científica universitária, além do desenvolvimento de competências digitais docentes e frameworks de autoavaliação.

A comissão organizadora do dossiê é formada pelos professores doutores Eniel do Espírito Santo, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Luiz Carlos Sacramento da Luz, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e André Luiz Carvalho Ottoni, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). O periódico tem como editor responsável o professor doutor Oséias Santos de Oliveira, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Os textos submetidos devem ser artigos originais alinhados ao campo da Educação e com extensão compreendida entre 35.000 e 45.000 caracteres com espaços, seguindo rigorosamente as Diretrizes para Autores disponibilizadas pela revista. A previsão oficial de publicação do volume completo é para abril de 2027.

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