Safra de abacaxi 2026 na Paraíba: recorde de produção e prejuízo?
Durante a safra de 2025, a Paraíba reafirmou sua relevância no ranking dos maiores produtores de abacaxi do Brasil, rivalizando diretamente com estados como o Pará e Minas Gerais.
Área Colhida e Produtividade:
Volume Total de Produção: A colheita superou a marca de 331.860 Mil frutos (equivalente a aproximadamente de 320 mil toneladas), reforçando o status do estado como um dos maiores fornecedores da fruta para as regiões Sudeste e Nordeste.
Destaque Regional: Municípios como Pedras de Fogo (maior produtor estadual), Itapororoca, Araçagi e Santa Rita continuaram a liderar a produção estadual. Pedras de Fogo e Itapororoca, em especial, responderam por mais de metade de toda a produção do estado, figurando também entre os municípios mais produtivos de abacaxi no âmbito nacional.
Variedades Cultivadas: O cultivo do tipo Pérola permaneceu como o preferido dos agricultores e dos consumidores, devido ao seu sabor doce (baixo teor de acidez) e polpa branca. No entanto, houve um crescimento no plantio da variedade BRS Imperial, desenvolvida com resistência à fusariose (a principal enfermidade que afeta a cultura).
Para a safra de 2026, as projeções indicam estabilidade com viés de crescimento moderado no volume total colhido, estimado em uma variação positiva entre 2,5% e 4% em relação a 2025. O cenário esperado projeta a colheita atingindo entre 308 e 312 milhões de frutos.
Fatores de Impulso para 2026
Adoção Tecnológica e Indução Floral: O uso intensivo e cronometrado de reguladores de crescimento para a indução floral programada permite que os produtores distribuam a colheita ao longo dos 12 meses do ano. Isso previne picos de superoferta e queda brusca nos preços pagos ao produtor.
Manejo Integrado de Pragas (MIP): A ampliação do combate à fusariose e à cochonilha-do-abacaxi (Dysmicoccus brevippes) por meio de mudas micropropagadas e certificadas pela EMPAER e parceiros privados garante menor taxa de perda na lavoura.
Resiliência Climática: O avanço de técnicas de irrigação por gotejamento na pré-restinga e no Agreste mitiga os riscos associados a veranicos prolongados durante as fases críticas de desenvolvimento do fruto.
Projeção para a Safra de 2027: Expansão e Agregação de Valor
A visão prospectiva para a safra de 2027 aponta para um salto qualitativo e quantitativo na abacaxicultura paraibana. Estima-se que a produção possa ultrapassar 325 milhões de frutos, impulsionada pelo amadurecimento dos investimentos em infraestrutura e abertura de novos mercados.
Vetores de Crescimento em 2027
Industrialização e Processamento Local: O fortalecimento de agroindústrias locais para o processamento de polpas, sucos concentrados, frutas desidratadas e aproveitamento do pedúnculo e cascas para ração animal reduzirá a dependência da venda do fruto in natura.
Abertura de Mercados Internacionais: Espera-se a consolidação de protocolos de exportação para a América Latina e Europa, focando em frutos com certificação de origem e rastreabilidade sanitária.
Sustentabilidade e Transição Varietal: Até 2027, projeta-se que áreas maiores de plantio adotem cultivares resistentes a doenças, reduzindo o uso de defensivos agrícolas e atendendo às exigências de ESG (ambiental, social e governança) do mercado consumidor.
Desafios do Setor
Embora o horizonte seja promissor, a manutenção do crescimento da cultura do abacaxi na Paraíba até 2027 exige atenção contínua, sobretudo em relação à combinação demanda/escoamento:
Principais Desafios:
Custo dos Insumos: Aumentos contínuos nos preços de fertilizantes nitrogenados e potássicos, especialmente devido ao conflito entre Rússia e Ucrânia, grandes países produtores, causam incertezas sobre a capacidade dos produtores de suportar os desbalanços entre valor de produção e de venda.
- Custo de produção x preço de venda: O aumento recorde na produção nas safras 2025-2026 tem se mostrado um desafio gigantesco para os pequenos e médios produtores, haja vista que os preços de venda estão muito abaixo do valor final de produção por hectare plantada.
Escoamento: Na safra 2026, percebeu-se uma diminuição significativa no corte (compra/envio) do fruto para as regiões sudeste e sul, as maiores compradoras da produção paraibana, o que tem ocasionado não apenas a diminuição do preço da unidade, como a incapacidade de escoamento da produção para o próprio mercado paraibano, cuja demanda de consumo não consegue dar conta de captar o excesso de produção.
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| Linha de produção da Intrafrut — Foto: Divulgação: Intrafrut |
- Insuficiência de indústrias de processamento: Embora a Paraíba possua algumas empresas de processamento da polpa de abacaxi, apenas uma delas é responsável por captar a maior parte do excedente da colheita, a Intrafrut. Sem a Intrafrut, o prejuízo dos produtores paraibanos seria muito maior, tendo em vista que o envio da produção para outros Estados seria inviável economicamente para a grande maioria dos agricultores. Todavia, muito se debate sobre a necessidade da implantação de outras empresas capazes de oferecer concorrência em relação ao preços, localização e estrutura de suporte ao produtores e motoristas.
Fontes:
https://www.ibge.gov.br/explica/producao-agropecuaria/abacaxi/pb
https://agrocontexto.com.br/agronegocio/maiores-produtores-abacaxi/



