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O Centro de História da Universidade de Lisboa anunciou a abertura da chamada de trabalhos para um suplemento especial da Cadmo – Revista de História Antiga, inteiramente focado nas abordagens ecocríticas no mundo greco-romano. A iniciativa surge na sequência do colóquio "Do Cosmos à Terra: Segredos da Natureza na Antiguidade Clássica" e procura conectar as humanidades ambientais ao estudo da Antiguidade, respondendo ao crescente interesse da comunidade académica contemporânea pelas temáticas ecológicas. O volume especial tem publicação prevista por uma editora universitária até o ano de 2027.
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O comitê editorial convida investigadores a submeterem propostas que explorem uma ampla variedade de perspectivas e tópicos. São aceites trabalhos dedicados aos imaginários ambientais nas fontes da Grécia e Roma antigas, às relações entre seres humanos e não humanos na literatura e cultura material, e a leituras ecológicas da épica, da lírica, do teatro, da historiografia e da filosofia. Além disso, a chamada acolhe estudos sobre a presença de animais, plantas e paisagens em narrativas antigas, conceções históricas sobre clima e alterações ambientais, ética ambiental e sustentabilidade, além de abordagens ecocríticas direcionadas ao mito, ao ritual e à religião.
Os investigadores interessados devem enviar os seus manuscritos originais e inéditos, redigidos em português, inglês ou espanhol, em formato Word. O prazo final para submissão das propostas encerra a 30 de novembro de 2026, devendo o envio ser efetuado para o e-mail environment.ancient.ch@gmail.com. As diretrizes completas de formatação e os detalhes do processo editorial podem ser consultados diretamente na página oficial da publicação.
Lembremo-nos de que o inconsciente abriga os impulsos, os desejos e as moções pulsionais mais primitivas, que buscam incessantemente a satisfação imediata regida pelo princípio do prazer. Contudo, o ser humano vive inserido na cultura, na linguagem e nas normas sociais, representadas por outra instância ou por barreiras morais e éticas que compõem a realidade externa e as instâncias censoras da mente. Quando uma moção pulsional, um pensamento, uma lembrança ou um afeto emergem no psiquismo e entram em conflito direto com os valores éticos, morais ou com a autoimagem idealizada do ego, gera-se um estado de desprazer intolerável. É exatamente nesse ponto de tensão insuportável que o aparelho psíquico aciona o recalque como um mecanismo de defesa automático e inconsciente. O objetivo primordial dessa operação é afastar da consciência aquilo que, se conhecido, ameaçaria a integridade psíquica do sujeito, mantendo o conflito em uma zona inacessível à percepção direta.
No recalque, o material banido da consciência continua plenamente ativo e dotado de energia psíquica no inconsciente. Freud demonstrou que o recalque ocorre em dois momentos ou etapas fundamentais, frequentemente descritas como recalque primário e recalque secundário ou propriamente dito. O recalque primário constitui a fixação inicial, ocorrendo na infância mais remota, quando as primeiras representações pulsionais ligadas a vivências corporais e fantasmáticas são rejeitadas e impedidas de acessar a consciência, formando o núcleo originário do inconsciente. A partir desse primeiro núcleo, estabelece-se uma atração magnética sobre todas as moções posteriores que guardem qualquer semelhança ou conexão com aquele conteúdo original. O recalque secundário, por sua vez, incide sobre os derivados dessas representações primárias ou sobre novos conteúdos que, ao longo da vida, ameaçam perturbar o equilíbrio psíquico do sujeito. É este segundo tipo que opera cotidianamente nas neuroses, atuando como um vetor constante de contenção que exige um gasto permanente de energia do ego para manter o material indesejado trancafiado no porão do psiquismo.
Contudo, uma das grandes descobertas da psicanálise é o fato de que aquilo que é recalcado jamais deixa de existir ou de exercer efeitos sobre o sujeito. A energia associada à representação recalcada pode ser separada dela, mas o afeto correspondente busca incessantemente uma via de escoamento e expressão. É por essa razão que o sintoma neurótico surge exatamente como um compromisso entre a força do recalque e a força do desejo recalcado. O sintoma é, ao mesmo tempo, a tentativa de satisfação substitutiva do impulso proibido e a punição ou defesa contra ele. Um sujeito que recalca um impulso agressivo ou uma angústia profunda, por exemplo, pode desenvolver fobias, obsessões, conversões histéricas ou perturbações somáticas, manifestando no corpo e nos pensamentos aquilo que a mente recusou-se a elaborar pela via da palavra e da consciência. A psicanálise clínica demonstra diariamente que os atos falhos, os chistes e, sobretudo, os sonhos são formações do inconsciente que revelam o fracasso parcial do recalque, funcionando como janelas através das quais os desejos banidos escapam sob disfarces simbólicos e condensações enigmáticas.
No âmbito da teoria freudiana, a virada de 1920 introduz a segunda tópica do aparelho psíquico, composta por id, ego e superego, o que redimensiona a compreensão do recalque. Nessa nova perspectiva estrutural, o ego assume a maior parte das operações defensivas, atuando sob pressões não apenas da realidade externa, mas também das exigências severas e muitas vezes tirânicas do superego, que internaliza as proibições parentais e culturais. O recalque, portanto, deixa de ser apenas um conflito entre consciente e inconsciente e passa a ser compreendido como uma operação executada pelo ego contra moções do id que são julgadas perigosas. Curiosamente, o próprio ego realiza essa manobra de defesa a partir de motivações que lhe escapam, operando de maneira inconsciente. Isso evidencia que a resistência ao tratamento psicanalítico, frequentemente observada quando o paciente se cala, muda de assunto ou esquece associações importantes durante a sessão, nada mais é do que a atuação viva do recalque em pleno processo terapêutico. O tratamento psicanalítico visa justamente suspender essa censura automática, permitindo que o paciente, em um ambiente seguro e sustentado pela transferência, possa entrar em contato com os conteúdos recalcados, ressignificando-se por meio da elaboração verbal.
É fundamental também distinguir o recalque de outros mecanismos de defesa que a psicanálise veio a catalogar posteriormente, muitos deles aprofundados por Anna Freud. Enquanto defesas como a negação, a projeção ou a formação reativa operam por vias distintas, o recalque é considerado o mecanismo princeps, a matriz a partir da qual as outras defesas podem se desdobrar, embora mantenha uma especificidade irredutível ao lidar diretamente com a representação psíquica e seu destino afetivo. Quando pensamos na clínica contemporânea, o conceito de recalque continua plenamente atual, embora as formas de sofrimento psíquico tenham se transformado ao longo das décadas. Se na Viena vitoriana de Freud predominavam as neuroses clássicas marcadas por proibições sexuais rígidas e recalques severos, a atualidade apresenta quadros onde a exigência de gozo e a fragilização dos limites simbólicos colocam novos desafios ao psiquismo, exigindo do analista uma escuta refinada para além do modelo clássico da repressão, sem que este perca, contudo, a sua centralidade teórica.
O recalque, portanto, é o mecanismo psíquico essencial que nos permite conviver com a civilização ao preço de sacrificar a satisfação direta de nossos impulsos mais arcaicos. Ele demonstra que a nossa identidade consciente é apenas a superfície visível de um arquipélago complexo e conflituoso, onde forças antagônicas disputam continuamente a direção da nossa subjetividade.
Referências Bibliográficas
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A Revista Sankofa, publicação vinculada à Universidade de São Paulo, está com chamada aberta para o recebimento de artigos acadêmicos que comporão o dossiê intitulado Memórias do trauma: colonialismo, racismo e escravidão no pensamento negro, na memória social e na historiografia. A iniciativa é organizada pelos professores Leila Maria Gonçalves Leite Hernandez e Alexandre Almeida Marcussi, ambos da Universidade de São Paulo, em parceria com Iceu Carlos Sitoe, da Universidade Pedagógica de Maputo. Os pesquisadores e autores interessados em submeter seus trabalhos têm até o dia 30 de novembro de 2026 para enviar as contribuições.
A proposta do dossiê parte da compreensão do século vinte como um período marcado por intensos traumatismos, nos quais os testemunhos de vítimas de violências históricas ganharam relevância crítica, política e social. No contexto das identidades negras contemporâneas, destacam-se as memórias vinculadas à dominação colonial europeia na África e no Caribe, os regimes de segregação racial e os desdobramentos da escravidão em sociedades americanas pós-abolicionistas. Embora esses processos históricos tenham sido frequentemente silenciados pelas narrativas hegemônicas do norte global, eles assumiram papel central nas discussões historiográficas recentes, impulsionando debates sobre ações afirmativas, reparações históricas e a revisão crítica de monumentos e patrimônios públicos.
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Além disso, a chamada ressalta a complexidade das análises sobre a descolonização epistemológica, chamando a atenção para dilemas que envolvem a agência histórica africana e a responsabilidade de elites locais nos períodos da escravidão e do colonialismo. Diante desse panorama, o escopo do dossiê busca reunir artigos que investiguem como o passado colonial, o racismo e a escravidão foram interpretados e narrados por intelectuais negros, movimentos sociais, manifestações artísticas e pela historiografia. Serão acolhidos trabalhos que analisem seletividades, apagamentos, disputas políticas e ideológicas, bem como políticas de arquivamento e patrimonialização dessas memórias na esfera pública e cívica.
A Revista Discente Ofícios de Clio, publicação semestral vinculada ao Laboratório de Ensino de História, ao Departamento de História e ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), está com chamada aberta para o recebimento de trabalhos até o dia 31 de outubro de 2026. O periódico, classificado com Qualis B1 pela CAPES, convida estudantes de graduação, pós-graduação e recém-formados (com até seis meses de conclusão) a enviarem artigos inéditos nas línguas portuguesa ou espanhola.
Nesta edição correspondente ao número 21 (2026/2), a revista recebe contribuições para as suas quatro seções permanentes e temáticas. A primeira delas abrange o Dossiê Temático intitulado "Mutações de Clio: entrelaces entre a História Pública Digital e a prática historiográfica", proposto pelos doutorandos Daniel Ferreira da Silva (UEM) e Gabriel Antonio Butzen (UFOP). O dossiê busca reunir pesquisas que discutam o impacto do ambiente digital, das mídias sociais, memórias em rede, mineração de dados, linguagens audiovisuais e jogos na produção e circulação do conhecimento histórico e na formação do historiador.
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Além do dossiê, a chamada contempla a seção de Artigos Livres, a seção voltada ao Ensino de História e Experiências Docentes (incluindo trabalhos sobre PIBID, monitorias, estágios e Educação Patrimonial) e a seção destinada a Resenhas de obras publicadas nos últimos três anos.
Para que a submissão seja validada e submetida à avaliação, os pesquisadores devem obrigatoriamente seguir as normas da revista, adotar o template específico disponibilizado pela editoria e realizar o envio duplo: tanto por meio do sistema no site oficial da revista quanto pelo e-mail oficial (oficiosdeclio@gmail.com). Submissões que não utilizarem o template ou que forem enviadas apenas por um dos canais serão desconsideradas. O regulamento completo, o modelo de formatação e os links de submissão estão acessíveis na página da revista no portal de periódicos da UFPel.
A Revista Em Tese, publicação vinculada à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), anunciou a prorrogação do prazo para o envio de trabalhos voltados ao dossiê "De Dante aos Buracos Negros: Poéticas do Ininteligível e a Crise da Representação da Ciência Contemporânea". Com organização de Danilo de Athayde, pesquisador ligado à UFMG e à Universidade do Porto, os interessados em submeter suas contribuições agora têm até o dia 31 de outubro de 2026 para encaminhar os textos.
A proposta do dossiê concentra-se no exame de como a literatura e as diversas expressões artísticas enfrentam e assimilam a perda das antigas visões totalizantes do universo, sobretudo em uma era marcada por uma ciência progressivamente opaca e abstrata. O objetivo central é reunir estudos que analisem estratégias formais capazes de criar inteligibilidade ou de tensionar os modelos estabelecidos pela tecnociência atual, promovendo um diálogo multidisciplinar entre os estudos de ciência, tecnologia e sociedade, a história das ciências e a filosofia. A chamada incentiva também a construção de um novo humanismo pós-reducionista, focado em superar a histórica divisão entre as áreas científicas e humanísticas.
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As reflexões propostas pela organização articulam-se em torno de eixos temáticos sugestivos, que incluem a investigação das poéticas do ininteligível entre diferentes escalas e limites, o estudo de alegorias técnicas e ficções da caixa-preta, além do mapeamento dos imaginários da ciência desenvolvidos no Sul Global. A Revista Em Tese receberá artigos acadêmicos inéditos, resenhas de obras lançadas nos últimos três anos que dialoguem diretamente com os temas da convocatória e contribuições para a seção Poéticas, destinada a produções artísticas autorais acompanhadas por uma nota de apresentação de até uma página.
A Revista Dia-Logos, periódico científico vinculado ao portal da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, está com chamada aberta para o envio de artigos e resenhas inéditas até o dia 31 de outubro de 2026. Com organização assinada pelas pesquisadoras Rebecca Rozas e Heloisa Rosa, da Universidade Estadual de Campinas, o dossiê temático propõe uma reflexão aprofundada sobre os arquivos da colonialidade e seus dilemas na escrita da História, nas políticas de memória e nos regimes de visualidade.
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O objetivo central da publicação é mapear debates epistemológicos e reunir contribuições de historiadores, artistas visuais, curadores, profissionais de museus e especialistas em acervos. As reflexões propostas abrangem os desafios enfrentados pela historiografia diante de documentos coloniais e a urgência de restituir a agência histórica a sujeitos marginalizados, escravizados e colonizados. Além disso, a chamada aborda processos de descolonização em instituições de patrimônio, envolvendo a repatriação de bens culturalmente relevantes, a participação comunitária e novas práticas de metadados.
A iniciativa também destaca o papel do contra-arquivamento e da produção artística contemporânea, observando como o uso de acervos coloniais por artistas pode contestar discursos hegemônicos e reelaborar a memória da dor. As submissões devem ser realizadas diretamente pela plataforma da revista, onde os autores encontram os critérios formais de publicação e os detalhes sobre as diretrizes editoriais do dossiê.
A Revista Interinstitucional Artes de Educar (RIAE), periódico científico da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) classificado como Qualis A4, está com submissões abertas para o dossiê temático "Concepções e ações públicas para a formação humana na contemporaneidade: superação ou aprofundamento das desigualdades sociais?". Pesquisadores e acadêmicos interessados em contribuir para o debate têm até o dia 30 de outubro de 2026 para encaminhar seus trabalhos.
O objetivo do dossiê é reunir análises críticas em relação aos conflitos, disputas, negociações e projetos que caracterizam o cenário de acirramento das lutas políticas e sociais no Brasil. A proposta concentra-se especialmente nas repercussões desse contexto na educação pública, contemplando reflexões que abarcam tanto a Educação Básica quanto o Ensino Superior. A publicação busca investigar como as concepções e ações voltadas à formação humana têm enfrentado a desigualdade social, compreendida como um elemento estruturante da formação da sociedade brasileira.
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A iniciativa parte da constatação de que as políticas públicas educacionais brasileiras passaram por um conjunto expressivo de reformas nas últimas décadas. Tais mudanças provocaram impactos profundos em dimensões centrais da organização escolar e acadêmica, incluindo a gestão, os currículos e os modelos de avaliação. Ao reunir pesquisas originais sobre esses processos, a publicação pretende fortalecer o campo de estudos dedicado às desigualdades sociais na educação.
A organização da edição está sob a responsabilidade dos professores Marcia Maurilio Souza, líder do Grupo de Pesquisa em Educação Especial: Políticas, Financiamento e Gestão (GPEE-Pol), e Rodrigo de Azevedo Cruz Lamosa, líder do Laboratório de Investigação Estado, Poder e Educação (LIEPE), ambos vinculados à Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). O dossiê conta ainda com a proposição de Enrique-Javier Díez-Gutiérrez, catedrático da Universidad de León, na Espanha. A chamada oficial está disponível em português, inglês e espanhol.