04/10/2026

Como referenciar livro com 1 autor segundo as normas APA?

Na lista de referências ao final do trabalho, a entrada completa reúne os elementos fundamentais de identificação da obra organizados em quatro partes principais: autor, data, título e fonte.

A primeira parte consiste no sobrenome do autor escrito por extenso, seguido por vírgula e pela inicial de seu primeiro nome e nomes do meio, acompanhadas de ponto final.

A segunda parte apresenta o ano de publicação da obra entre parênteses, fechando com um ponto final logo após o parêntese de fechamento.

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A terceira parte traz o título do livro grafado em itálico. No padrão APA, aplica-se o estilo de caixa de frase para o título, o que significa que apenas a primeira palavra do título, a primeira palavra de um subtítulo após dois-pontos e nomes próprios devem começar com letra maiúscula. O título encerra-se com ponto final.

Silva, A. B. (2020). Metodologias ativas no ensino superior: Teoria e prática. Editora Acadêmica.

A quarta e última parte informa a fonte, que corresponde ao nome da editora por extenso. Não é necessário incluir a cidade ou local da editora. Caso a obra possua um identificador digital como um DOI ou uma URL válida de acesso, essa informação deve ser adicionada ao final da referência na forma de um link direto e clicável, sem ponto final depois da URL.

Silva, A. B. (2020). Metodologias ativas no ensino superior: Teoria e prática. Editora Acadêmica. https://doi.org/10.1000/182.

Um exemplo completo de citação narrativa inclui a menção do sobrenome do autor seguido pelo ano entre parênteses no fluxo da frase. Em uma citação entre parênteses, insere-se a frase seguida por parênteses contendo o sobrenome do autor, vírgula, ano e número da página. Na lista de referências final, o registro é formatado alinhando o sobrenome do autor, a inicial do nome entre parênteses com o ano, o título do livro em itálico e a editora ao final. Na formatação visual da lista de referências final segundo a APA, aplica-se o recuo pendente a partir da segunda linha de cada entrada.

Edital 2026 da Revista Cadernos de Estudos Sociais e Políticos abre chamada para artigos de temática livre nas ciências sociais

A Revista Cadernos de Estudos Sociais e Políticos, periódico discente vinculado ao Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ), lançou o edital número 02 de 2026 para o recebimento de artigos acadêmicos com temática livre na área das ciências sociais. Os interessados devem realizar as submissões exclusivamente pelo sistema online da revista até o dia 9 de outubro de 2026, sendo importante destacar que o edital não prevê prorrogação do prazo e os manuscritos começam a ser avaliados à medida que chegam.

O processo de submissão é voltado principalmente para pós-graduandos e pós-graduados em nível stricto sensu, embora graduados também possam participar na condição de coautores. Cada artigo pode contar com a autoria de até três pessoas e precisa estar rigorosamente alinhado ao escopo editorial do periódico e às diretrizes disponíveis no site oficial. Os textos passam por avaliação cega por pares realizada por pareceristas que possuem titulação mínima de doutorando.

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Adotando uma política de acesso aberto e sem cobrança de taxas de publicação, a revista segue os princípios éticos estabelecidos pelo Committee on Publication Ethics e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Esclarecimentos adicionais sobre a chamada de artigos podem ser obtidos por meio do endereço eletrônico cadernos@iesp.uerj.br.

O que são Antropônimos na Língua Portuguesa?

Fundamentalmente, o termo antropônimo refere-se a todo substantivo próprio utilizado para designar individualmente o ser humano. O termo deriva etimologicamente do grego clássico, a partir da junção dos elementos ánthropos, que significa homem ou ser humano, e ónyma, relativo a nome. Portanto, antropônimo é o nome dado à pessoa.

Trata-se de uma categoria ampla que abrange desde o prenome, popularmente conhecido como o nome de batismo ou primeiro nome, até os sobrenomes ou apelidos de família, como se diz em Portugal. Além dos nomes civis registrados em cartório, o conceito de antropônimo se estende aos hipocorísticos, que são as formas carinhosas, reduzidas ou afetuosas com que tratamos amigos e familiares no cotidiano. Incluem-se também nessa esfera os pseudônimos adotados por escritores para ocultar ou reformular sua autoria, os nomes artísticos criados para a cena pública e os codinomes empregados em contextos específicos. Em todos esses casos, o elemento definidor permanece sendo a vinculação direta à identidade de uma pessoa.

Sob a perspectiva histórica e cultural, a formação dos antropônimos na língua portuguesa reflete séculos de transformações sociais e linguísticas. Na Idade Média, o hábito de nomear as pessoas apoiava-se fortemente na influência religiosa, resultando em uma variedade de prenomes de matriz cristã, além de nomes de origem germânica e latina. Com o crescimento populacional, fez-se necessária a adoção de elementos adicionais para diferenciar indivíduos com o mesmo prenome. Surgiram assim os patronímicos, criados originalmente para indicar a filiação, formados frequentemente pela adição do sufixo -es ou -iz, significando "filho de". Do mesmo modo, a geografia, a flora, a fauna e os ofícios exercidos pelas pessoas passaram a ser incorporados à antroponímia. Nomes vinculados à natureza e às profissões consolidaram-se como sobrenomes transmitidos de geração em geração.

Gramaticalmente, o antropônimo é considerado um substantivo próprio e, por essa razão, obedece a regras específicas de grafia e concordância. Por regra geral, exige o uso de inicial maiúscula para marcar a sua natureza distintiva e individualizadora no texto. Além disso, a concordância de gênero nos antropônimos geralmente acompanha o sexo biológico ou a identidade da pessoa nomeada, enquanto a concordância de número pode gerar construções peculiares quando o nome próprio é empregado no plural para designar uma família ou um grupo de pessoas que compartilham o mesmo nome.

Revista Anais de História de Além-Mar lança chamada de artigos para Dossiê Temático sobre os 150 anos da Sociedade de Geografia de Lisboa

A Revista Anais de História de Além-Mar divulgou a abertura de submissões para o seu próximo Dossiê Temático dedicado à Sociedade de Geografia de Lisboa, com publicação prevista para o ano de 2028. A iniciativa convida investigadores das áreas da História, Literatura, Arte, Filosofia e Política a analisarem a trajetória, a evolução e o impacto desta instituição fundada em 1875, que ao longo de mais de um século e meio se adaptou a profundas transformações políticas, sociais e culturais.

O dossiê propõe uma reanálise crítica do papel desempenhado pelas instituições oitocentistas de mapeamento e conhecimento colonial, que deixaram de ser encaradas como repositórios neutros para passarem a ser estudadas enquanto ferramentas de hegemonia cultural ocidental. Nesse sentido, incentiva-se a reflexão acadêmica voltada para debates internacionais contemporâneos, como a revisão de narrativas históricas, a descolonização do património, a crítica museológica e as políticas de restituição cultural.

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As propostas de artigos devem contemplar temas alinhados à orgânica diversificada da instituição, abrangendo as suas atuais vinte e três secções profissionais e onze comissões gerais. Entre os tópicos de maior interesse encontram-se a revitalização e os novos modelos institucionais, o perfil dos sócios fundadores, as explorações científicas, as viagens, a literatura e a medicina colonial, além dos desafios digitais, da sustentabilidade e dos estudos do património e do turismo.

Os trabalhos inéditos devem obedecer aos critérios editoriais da publicação e apresentar uma extensão compreendida entre seis mil e doze mil palavras, incluindo notas, imagens e bibliografia. As submissões serão aceites em português, castelhano, inglês, francês ou italiano, devendo ser enviadas através da plataforma digital da revista até ao dia 31 de julho de 2027. Todos os manuscritos recebidos passarão por um rigoroso processo de avaliação por pares, em regime de duplo anonimato, garantindo a qualidade científica do volume previsto para 2028.

03/10/2026

O que significa Lugar fictício na Teoria da Literatura?

Trata-se de espaços inventados pelo autor, que não existem na realidade empírica, mas que ganham consistência, verossimilhança e densidade simbólica dentro da obra. Não se tratam de mero cenários: eles servem como extensões da narrativa, como projeções de valores culturais, sociais e psicológicos, e muitas vezes se tornam personagens em si mesmos.

Um dos exemplos mais célebres é Macondo, criado por Gabriel García Márquez em Cem anos de solidão. Macondo não é apenas uma vila fictícia na Colômbia; é um espaço mítico que condensa a história da América Latina, com suas contradições, violências, esperanças e desilusões. A vila nasce do nada, floresce, entra em decadência e finalmente desaparece, refletindo o ciclo da própria história latino-americana. O lugar fictício aqui não é um detalhe, mas o eixo da narrativa: sem Macondo, a saga da família Buendía não teria a mesma força simbólica.

Outro exemplo notável é Yoknapatawpha County, criado por William Faulkner. Esse condado fictício do sul dos Estados Unidos é palco de quase toda a sua obra, funcionando como um microcosmo da sociedade sulista, com suas tensões raciais, tradições aristocráticas decadentes e dramas familiares. Faulkner constrói um espaço tão detalhado que chega a desenhar mapas, dando ao leitor a sensação de que Yoknapatawpha existe de fato. O lugar fictício, nesse caso, é uma estratégia para universalizar questões locais, transformando o sul dos EUA em metáfora da condição humana.

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Na literatura brasileira, temos exemplos igualmente marcantes. José J. Veiga, em A casca da serpente, cria uma cidade fictícia que se torna palco de estranhos acontecimentos, explorando o absurdo e o fantástico como forma de crítica social. Outro caso é o de Guimarães Rosa, que, embora se inspire em geografias reais do sertão mineiro, constrói um sertão literário que transcende o espaço físico. Em Grande sertão: veredas, o sertão é simultaneamente real e imaginário, um lugar de travessia existencial, onde Riobaldo vive sua saga de amor, guerra e reflexão metafísica. O sertão rosiano é um espaço simbólico, que ultrapassa a geografia para se tornar uma metáfora da vida.

Os lugares fictícios também podem assumir formas mais alegóricas. Em A República, de Platão, encontramos a descrição da cidade ideal, que não existe, mas serve como modelo filosófico. Da mesma forma, em Utopia, de Thomas More, a ilha descrita é um espaço inventado para discutir a organização política e social. Esses lugares não são apenas cenários narrativos, mas instrumentos de reflexão crítica sobre a realidade.

A literatura fantástica e de ficção científica explora intensamente os lugares fictícios. Pensemos em Terra do Nunca, de J. M. Barrie, onde Peter Pan vive aventuras eternas. Esse espaço é a materialização do desejo de escapar da maturidade e permanecer na infância. Ou ainda em Gotham City, nos quadrinhos do Batman, que, embora inspirada em Nova Iorque, é uma cidade fictícia que concentra os dilemas da modernidade urbana: crime, corrupção, vigilância e esperança. Em 1984, de George Orwell, temos a Oceânia, um lugar fictício que representa o totalitarismo extremo, funcionando como alerta político e social.

O lugar fictício, portanto, cumpre múltiplas funções. Ele pode ser:

  • Um reflexo da realidade, como Macondo ou Yoknapatawpha.

  • Uma metáfora existencial, como o sertão de Guimarães Rosa.

  • Um espaço alegórico, como Utopia ou Oceânia.

  • Um território do imaginário, como Terra do Nunca.

O que une todos esses exemplos é o fato de que o lugar fictício não é apenas inventado: ele é construído com lógica interna, coerência narrativa e densidade simbólica. O leitor, ao adentrar esses espaços, aceita a suspensão da descrença e passa a habitar mundos que, embora inexistentes, se tornam reais na experiência da leitura.

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Além disso, os lugares fictícios dialogam com a memória coletiva e individual. Eles podem ser inspirados em espaços reais, mas transformados pela imaginação. Guimarães Rosa, por exemplo, conhecia profundamente o sertão mineiro, mas o reinventou literariamente. García Márquez se inspirou em sua cidade natal, Aracataca, para criar Macondo. Faulkner se baseou em Lafayette County, no Mississippi, para inventar Yoknapatawpha. A ficção, nesse sentido, não nega a realidade, mas a transfigura.

O lugar fictício é estudado pela crítica literária como parte da construção do espaço narrativo. Autores como Mikhail Bakhtin, ao falar do cronotopo, destacam a relação entre tempo e espaço na literatura. O lugar fictício é um cronotopo específico, que articula dimensões temporais e espaciais em função da narrativa. Gaston Bachelard, em A poética do espaço, também contribui para pensar como os espaços imaginários se relacionam com a experiência humana. Michel Foucault, ao propor o conceito de heterotopia, oferece outra chave de leitura: os lugares fictícios podem ser vistos como heterotopias, espaços outros, que revelam e questionam a ordem social.

Referências Bibliográficas

BACHELARD, Gaston. A poética do espaço. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

FAULKNER, William. O som e a fúria. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

FOUCAULT, Michel. Outros espaços. In: Ditos e escritos. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012, vol. 4.

MÁRQUEZ, Gabriel García. Cem anos de solidão. Tradução de Eric Nepomuceno. 129. ed. Rio de Janeiro: Record, 1977.

ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. 22. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

ORWELL, George. 1984. Tradução de Heloisa Jahn e Alexandre Hubner. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

PLATÃO. A República. Tradução de Fábio Meneses Santos. Jandira–SP: Principis, 2021.

VEIGA, José J. A Casca da Serpente. 2. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1994.

Gigantomachia Dialetheia: Revista Das Questões abre chamada para dossiê sobre o ente contraditório e a filosofia do paradoxo

A Revista Das Questões lançou uma nova chamada para submissões voltada a explorar um dos temas mais desafiadores e persistentes da história do pensamento ocidental: a contradição e o paradoxo na filosofia. Organizado pelos editores Gabriel Azevedo Cruz, Aleph Cedrim Barbalho e Gabriel Loureiro, o dossiê intitulado Gigantomachia Dialetheia: O Problema do Ente Contraditório convoca pesquisadores de diferentes correntes teóricas para debater como a filosofia tem lidado tradicionalmente com aquilo que muitas vezes encarou como seu maior oponente.

Ao longo da história, desde as argumentações críticas de Górgias e Sócrates até as estratégias céticas, kantianas e as reviravoltas realistas do século XX, o pensamento ocidental tem sido marcado por uma perene tentativa de escapar da contradição para preservar a coerência harmônica dos sistemas ontológicos e epistemológicos. No entanto, o edital aponta que esses espectros desviantes continuam reaparecendo e colapsando sistemas baseados na consonância interna, figurando como o grande fantasma que assombra a produção metafísica.

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Diante desse cenário, a proposta do dossiê é reunir investigações de origens múltiplas que ofereçam maneiras produtivas de incluir itens inconvenientes como o paradoxo e a contradição dentro de sistemas lógicos, ontológicos, metafísicos e epistemológicos. Busca-se, em suma, uma filosofia voltada para essa inimizade interna, compreendendo a Gigantomachia Dialetheia como um vasto campo de disputas entre posturas robustas que tentam solucionar o mais difícil problema do filosofar.

A chamada está aberta para o envio de artigos, ensaios, entrevistas, resenhas e traduções. Podem participar filósofos da paraconsistência, dialeteístas, dialéticos, céticos, pensadores da paradoxico-metafísica, teóricos da espectralidade, deleuzeanos, neohegelianos, metafísicos românticos e paradoxólogos em geral. Os interessados devem enviar suas contribuições até o dia 31 de dezembro de 2026.

O que significa Zona Erógena para a Psicanálise?

Quando Sigmund Freud introduziu o conceito de zona erógena no início do século vinte, ele revolucionou a clínica dos adoecimentos psíquicos e subverteu a própria ideia de instinto, isso porque, para a psicanálise, o ser humano não é guiado majoritariamente por uma sexualidade instintual voltada à reprodução, como ocorre com a maioria dos animais, mas sim por uma pulsão que se constrói e se organiza a partir de marcas corporais e relacionais da cada indivíduo. Nesse contexto, a zona erógena surge não como uma região anatômica pré-determinada para o prazer genital, mas como qualquer parte da pele ou das mucosas capaz de se tornar ponto de referência de uma excitação de qualidade sexual através de estímulos adequados.

A origem desse conceito está ligada à obra Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, publicada em 1905, na qual Freud rompe com a visão clássica que reduzia o sexual ao genital e ao adulto. A zona erógena é, para o fundador da psicanálise, um local do corpo onde a pulsão obtém satisfação. É fundamental distinguir a pulsão, que é um conceito limite entre o psíquico e o somático, do instinto biológico. Enquanto o instinto possui um objeto fixo e um fim pré-determinado pela natureza, a pulsão caracteriza-se pela sua plasticidade, variabilidade de objetos e pela busca incessante de descarga de tensão. A fonte da pulsão reside no próprio corpo, mais especificamente nas zonas erógenas, que funcionam como portais de captação e emissão de energia psíquica.

O processo de erogenização de uma região do corpo ocorre muito cedo na vida do sujeito e está intimamente atrelado às rotinas de cuidado dispensadas pelos cuidadores primários, geralmente mãe e pai. A boca do bebê, por exemplo, é a primeira grande zona erógena a se constituir. Inicialmente, o ato de sugar o seio materno cumpre uma função puramente autoconservativa, que é a nutrição. No entanto, no próprio ato de mamar, o calor do leite, o contato com a pele e o ritmo da sucção produzem um prazer suplementar que excede a necessidade orgânica de saciar a fome. É nesse momento que ocorre o desgarramento da pulsão em relação à função biológica. A criança descobre que o ato de sugar em si, mesmo na ausência do alimento, gera uma sensação prazerosa. O bebê passa então a chuchar o próprio polegar ou outros objetos, inaugurando o autoerotismo e consolidando a cavidade oral como uma zona erógena primordial.

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À medida que o desenvolvimento psíquico e corporal avança, o investimento libidinal se desloca para outras regiões da superfície do corpo. O controle dos esfíncteres e as exigências da educação transformam a região anal em uma segunda grande zona erógena. Na fase anal, a retenção e a expulsão das fezes tornam-se meios de obter prazer e, ao mesmo tempo, instrumentos de negociação e controle nas relações com os adultos. O corpo da criança passa a ser um campo de forças onde o prazer corporal se entrelaça com as demandas da cultura e do amor do outro. Mais tarde, com o despertar da curiosidade infantil e a percepção das diferenças anatômicas, a região genital assume o protagonismo na fase fálica, culminando na complexa organização do complexo de Édipo.

Contudo, constitui um erro teórico limitar as zonas erógenas apenas aos orifícios corporais tradicionais, como boca, ânus e genitais. Em desenvolvimentos posteriores da teoria psicanalítica, fica claro que a qualidade de erogeneidade é intrínseca à própria pele e às superfícies sensoriais. Qualquer segmento do corpo pode funcionar como uma zona erógena, desde que receba o investimento da libido. A pele, em especial, atua como um envelope psíquico, uma interface de contato entre o mundo interno e a realidade externa. O toque, o acolhimento físico, o olhar e até mesmo a voz do cuidador exercem a função de catalisadores na constituição do esquema corporal erógeno. Quando a mãe acaricia a pele do filho ou fala com ele de maneira afetuosa, ela está, em termos psicanalíticos, cartografando o corpo da criança e erogenizando seus tecidos.

Essa flexibilidade da zona erógena explica fenômenos clínicos complexos, como os sintomas de conversão histérica e os distúrbios psicossomáticos. Na histeria, uma parte do corpo sem qualquer alteração orgânica identificável pode simular uma paralisia, uma dor crônica ou uma anestesia. Freud percebeu que essas manifestações ocorrem porque a região afetada foi hiper-investida libidinalmente, tornando-se o substituto de uma zona erógena reprimida e o veículo para a expressão inconsciente de um conflito sexual. O sintoma corporal passa a falar aquilo que a linguagem verbal não pôde articular, demonstrando como a geografia do corpo inconsciente difere da geografia estudada pela anatomia médica.

A erogeneidade também se conecta com a teoria dos afetos e com o modo como o sujeito estabelece suas relações interpessoais. O conceito de narcisismo, introduzido posteriormente na metapsicologia freudiana, assinala que o próprio eu se constitui a partir do investimento na totalidade do corpo erógeno. O eu não é apenas uma estrutura mental, mas é, antes de tudo, um eu corporal, derivado da projeção de uma superfície. A integração das diferentes zonas erógenas parciais em uma organização genital adulta não apaga a presença dessas zonas pré-genitais. Na vida sexual adulta madura, o preliminar da atividade sexual recupera exatamente essas áreas pré-genitais, integrando o olhar, a escuta, a pele e a mucosa oral na dinâmica do prazer.

Por outro lado, quando o desenvolvimento libidinal sofre fixações ou regressões intensas em determinadas fases, as zonas erógenas correspondentes podem manter uma primazia excessiva no funcionamento psíquico. Um indivíduo com uma fixação oral marcante pode buscar a satisfação de suas angústias através de comportamentos compulsivos ligados à ingestão de alimentos, ao uso de substâncias ou à dependência verbal. Do mesmo modo, traços de caráter marcados pela rigidez, pela obsessividade com o controle ou pela avareza frequentemente remetem a um investimento não elaborado na zona erógena anal. A psicanálise nos ensina que a forma como lidamos com os impulsos oriundos dessas zonas molda a nossa personalidade, os nossos escolhas amorosas e até mesmo a nossa capacidade de sublimação e criação artística.

A contribuição de autores pós-freudianos ampliou de forma significativa o estudo da erogeneidade. Donald Winnicott enfatizou o papel da maternagem na sustentação do corpo infantil, demonstrando que a manipulação física adequada do bebê permite a personalização, que é o processo pelo qual a psique se aloja no corpo. Jacques Lacan, por sua vez, releu o conceito freudiano à luz da linguagem e da estrutura do inconsciente. Para Lacan, as zonas erógenas são zonas de borda, fendas ou aberturas na superfície do corpo, tais como os lábios, a margem do ânus, a fenda palpebral e o meato auditivo. Essas bordas se caracterizam por uma estrutura anatômica de corte, sendo os locais de onde emergem os objetos causadores do desejo.

A erogeneidade, segundo a perspectiva lacaniana, está profundamente ligada ao fato de que o ser humano é um ser de linguagem, habitado pelo signo e atravessado pelo discurso do outro. O corpo humano não nasce erógeno por natureza; ele é esculpido pelo significante. É a palavra do adulto, marcada pelo afeto e pelo desejo, que recorta o corpo da criança e extrai dele o gozo, transformando o organismo biológico em um corpo pulsional. A borda erógena funciona como o ponto de articulação entre o interior psíquico e o exterior simbólico, o local onde o sujeito tenta se reapropriar daquela parcela de satisfação que foi perdida na entrada para a ordem da cultura.

É crucial destacar que a erogeneidade não é um dado estático ou definitivo, mas uma condição dinâmica que flutua ao longo de toda a existência do sujeito. Em situações de dor, enfermidade física ou sofrimento psíquico intenso, a libido submete as regiões corporais a redistribuições energéticas drásticas. Uma dor de dente, para citar o exemplo clássico de Freud, faz com que toda a energia psíquica e o interesse do sujeito se concentrem exclusivamente naquela pequena zona erógena inflamada, retirando o investimento do mundo exterior. Da mesma forma, nos processos de luto e melancolia, a perda do objeto amado pode desencadear uma erogenização dolorosa do próprio eu, onde o corpo do sujeito passa a ser o palco do sofrimento e da punição psíquica.

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A relevância teórica e prática da zona erógena está no fato de que ela impede o sujeito de recair em visões dualistas que separam categoricamente a mente do corpo. Na psicanálise, o corpo não é uma máquina nem um invólucro passivo da mente, mas sim a matéria-prima do psiquismo. Toda representação psíquica possui um enraizamento na experiência corporal erógena. As fantasias inconscientes, os sonhos, as produções artísticas e as manifestações sintomáticas trazem, em sua estrutura profunda, as marcas das pulsões parciais e das superfícies sensoriais que lhes deram origem.

Ao escutar um paciente no setting analítico, o psicanalista está atento tanto ao conteúdo manifesto de suas palavras, quanto à forma como o corpo se faz presente na fala. As metáforas utilizadas, as queixas somáticas, a relação com a alimentação, com o sono e com a intimidade revelam os caminhos e descaminhos do investimento nas zonas erógenas ao longo da história do sujeito. O trabalho analítico possibilita que o indivíduo rearticule sua história pulsional, ressignifique traumas inscritos na superfície corporal e encontre novas formas de satisfação que sejam menos dolorosas e mais integradas à sua subjetividade.

Referências Bibliográficas

ANZIEU, Didier. O Eu-pele. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1988.

FREUD, Sigmund. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. Tradução de Paulo César de Souza. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

LACAN, Jacques. O Seminário, Livro 11: Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

LAPLANCHE, Jean. Novos fundamentos para a psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 2019.