No estudo da morfologia e da ortografia da Língua Portuguesa, o fenômeno da composição por justaposição ocorre quando duas ou mais palavras originárias se unem para formar uma nova unidade lexical, mantendo cada qual sua autonomia fonética. Historicamente, essa junção era frequentemente assinalada pelo hífen. Contudo, com a evolução diacrônica do idioma e o uso continuado pelos falantes, certos termos compostos passam por um processo de sedimentação semântica no qual a percepção das partes individuais deixou de existir. Trata-se do fenômeno em que as palavras compostas perderam a noção de composição, transformando-se, na consciência linguística da comunidade, em vocábulos simples ou indivisíveis.
A perda da noção de composição é um fenômeno primordialmente semântico e psicolinguístico. Quando o falante aciona determinado vocábulo em seu léxico mental e não mais associa o significado global à soma das partes originais, a memória da estrutura composta se apaga. Essa fusão faz com que a palavra seja percebida como uma entidade única. Um exemplo clássico desse processo é o termo girassol.
A consolidação desse fenômeno refletiu-se diretamente nas reformas ortográficas da língua. O último Acordo Ortográfico ratificou formalmente a abolição do hífen em compostos por justaposição nos quais se perdeu tal noção, fixando grafias aglutinadas.
Outros exemplos ilustram como a história da língua internalizou essa perda ao longo dos séculos. A palavra madressilva, designativa de uma espécie botânica, é produto da aglutinação do latim ou do português arcaico para a expressão da mãe da selva ou da mata, hoje totalmente opaca ao falante comum. De igual modo, o termo mandachuva, empregado para definir uma pessoa influente ou de autoridade incontestável, perdeu o contorno literal do comando sobre a chuva para converter-se em uma unidade metafórica coesa e aglutinada.
Atentemo-nos para o fato de que o desaparecimento da noção de composição não apenas suprime o hífen, mas também impõe ajustes ortográficos de adaptação fônica quando necessários, como a duplicação de consoantes para preservar o som original, a exemplo do duplo "s" em girassol.