UFMG abre chamada de artigos para dossiê sobre as "Figurações do Outro" nas Literaturas de Língua Portuguesa
A Revista do Centro de Estudos Portugueses (CESP), vinculada à Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), anunciou a abertura do período de submissões para o seu volume do primeiro semestre de 2026. O novo número traz como tema central o dossiê "Figurações do Outro nas literaturas de língua portuguesa".
Pesquisadores e acadêmicos interessados em contribuir têm até o dia 30 de abril de 2026 para enviar seus trabalhos originais.
Identidade e Alteridade em Pauta
A proposta do dossiê parte da premissa de que a literatura é o palco principal para a encenação de tensões entre o "nós" e o "outro". Baseando-se em referenciais teóricos de peso — como Giorgio Agamben, Roberto Esposito e Benedict Anderson — a publicação busca explorar como a construção de identidades nacionais e coletivas depende, intrinsecamente, da imagem de uma alteridade, muitas vezes moldada como oposição ou "inimigo".
O conceito de imunidade, discutido por Esposito sob a ótica biopolítica, e a ideia de comunidades imaginadas, de Anderson, servem de norte para as reflexões. O objetivo é entender como os textos literários funcionam como espaços de construção e propagação dos imaginários que sustentam sociedades e grupos políticos ao longo da história.
Texto da chamada
A literatura sempre foi um espaço propício para a encenação de tensões entre alteridades. Desde a construção de imaginários sobre um povo à afirmação de identidades nacionais, a literatura elaborou a existência de um nós, que só seria possível diante da imagem de um outro, igualmente construído. Giorgio Agamben, em “Construir o inimigo”, propõe que “ter um inimigo é importante, não apenas para definir a nossa identidade, mas também para arranjarmos um obstáculo em relação ao qual seja medido o nosso sistema de valores e para mostrar, no afrontá-lo, o nosso valor.” (2011, p. 12). Roberto Esposito (2010), em Bios – Biopolítica e Filosofia, sugere que se pense a dinâmica entre o social e o político, que visa perpetuar um agrupamento humano específico, a partir do paradigma da imunidade. A figura dialética da imunidade coloca-se na interseção entre a vida e o direito. No sentido biomédico, o termo está ligado “a uma condição de refrangibilidade, natural ou induzida, em relação a uma dada doença por parte de um organismo vivo” (p. 73). Em linguagem jurídica, imunidade refere-se “à isenção, temporária ou definitiva, de um sujeito em relação a determinadas obrigações, ou responsabilidades, às quais normalmente está vinculado” (p. 73). Também Benedict Anderson (2008), em Comunidades Imaginadas, se propôs a pensar os vínculos entre sujeitos na construção de uma ideia de comum que se demarca em relação a certa alteridade. A proposta de Anderson é analisar o nacionalismo “alinhando-o não a ideologias políticas conscientemente adotadas, mas aos grandes sistemas cultuais que o precederam, e a partir dos quais ele surgiu, inclusive para combatê-los” (p. 32). Esta relação limite entre uma comunidade e aqueles que não fazem parte encontra na literatura um espaço propício de figuração, na medida em que o espaço da cultura é exatamente o de construção e propagação dos imaginários que sustentam identidades.
Organização
O volume conta com uma comissão organizadora de prestígio internacional, unindo instituições brasileiras e estrangeiras:
Profa. Dra. Roberta Guimarães Franco (UFMG/CNPq/FAPEMIG)
Profa. Dra. Sandra Sousa (University of Central Florida)
Profa. Dra. Renata Flávia da Silva (UFF)
Prof. Dr. Daniel Marinho Laks (UFSCar/CNPq)
+ Informações
Página da chamada: https://periodicos.ufmg.br/index.php/cesp/announcement/view/705
Normas para submissão: https://periodicos.ufmg.br/index.php/cesp/about/submissions
Chamada periódico na área de Letras - SCRIPTA UNIANDRADE v. 23, n. 3 (2026)
A prestigiada revista acadêmica Scripta Uniandrade anunciou a abertura de submissões para o seu volume 23, número 3, previsto para 2026. O novo número terá como foco o eixo temático "Literatura e Intermidialidade", convidando pesquisadores a explorarem as fronteiras cada vez mais fluidas entre o texto literário e outras formas de expressão artística e midiática.
Os interessados em contribuir com o debate acadêmico têm até o dia 30 de setembro de 2026 para enviar seus artigos.
Além do Comparativismo: O Foco da Pesquisa
Diferente das abordagens tradicionais de literatura comparada, este eixo propõe uma análise profunda das inter-relações, contágios e tensões que surgem quando diferentes sistemas semióticos se encontram. A proposta parte da premissa de que, na era contemporânea, as mídias convergem para criar discursos complexos que desafiam categorias puristas.
Texto da chamada
O eixo temático Literatura e Intermidialidade propõe o estudo das relações entre a literatura e outras artes e mídias para além do simples comparativismo, privilegiando as inter-relações, imbricações, contágios e tensões que emergem do encontro entre diferentes sistemas semióticos. Parte-se da compreensão de que, na contemporaneidade, as mídias convergem e produzem processos discursivos complexos, exigindo abordagens teóricas capazes de dar conta dessa multiplicidade.
Transitando entre a materialidade do texto literário e a semiologia da imagem e do som, a linha investiga os processos de produção de sentido por meio de conceitos como intermidialidade, transposição midiática, tradução ou transposição intersemiótica, adaptação intermidiática e referência intermidiática. Entre seus objetivos, destaca-se a análise crítica de obras constituídas em ou por diferentes mídias, como teatro, ópera, cinema, histórias em quadrinhos, instalações e canções, bem como de adaptações e procedimentos como écfrase, musicalização da literatura e transposition d’art.
De caráter transdisciplinar, a linha dialoga com campos como Estética, Semiótica, Literatura Comparada, Estudos da Comunicação e Estudos Interartes, inserindo-se no horizonte mais amplo dos Estudos da Intermidialidade e da Multimodalidade. Ao adotar o conceito de “mídia” como operador central — sem excluir a noção de “arte” —, a pesquisa enfatiza a materialidade e a historicidade das formas culturais. Assim, entende-se a intermidialidade como o estudo dos fenômenos que ocorrem entre as mídias, reconhecendo a inexistência de formas artísticas puras. A linha propõe-se, portanto, como uma rede de debate e investigação crítica sobre produtos culturais marcados pelo cruzamento e pela cooperação entre artes e mídias.
Nota Editorial: Todos os artigos serão avaliados por pareceristas especializados na área de Intermidialidade, garantindo o rigor científico e a relevância das discussões propostas pela rede de investigação.
Página da chamada: https://revista.uniandrade.br/index.php/ScriptaUniandrade/announcement/view/22
Normas para submissão: https://revista.uniandrade.br/index.php/ScriptaUniandrade/about/submissions
Chamada periódico na área de Letras - SCRIPTA UNIANDRADE v. 23, n. 2 (2026)
A revista científica Scripta Uniandrade anunciou a abertura de submissões para o seu volume 23, número 2, previsto para 2026. O novo número traz como foco o eixo temático "Poéticas do Contemporâneo", convidando pesquisadores da área de Letras a explorarem as complexas tramas da literatura atual.
Os interessados têm até o dia 30 de agosto de 2026 para enviar seus artigos originais.
O Foco: Entre a Tradição e a Hibridização
O dossiê propõe um mergulho nas tensões que definem a produção literária hoje. O objetivo central é confrontar as abordagens pragmáticas e tradicionais dos estudos literários com as novas perspectivas teóricas, mais abertas, inclusivas e marcadas pelo hibridismo.
A proposta parte do princípio de que vivemos em uma era de "reciclagens e recombinações", onde gêneros textuais se fundem e teorias circulam de forma dinâmica.
Texto da chamada
O eixo temático Poéticas do Contemporâneo dedica-se ao estudo das poéticas literárias contemporâneas, com o objetivo de evidenciar as tensões entre abordagens mais pragmáticas e tradicionais dos estudos literários e as perspectivas teóricas mais abertas, inclusivas e híbridas que caracterizam o pensamento crítico atual. Parte-se do reconhecimento da diversidade de reciclagens, combinações e recombinações que marcam os gêneros textuais e as múltiplas abordagens teóricas em circulação.
O eixo privilegia a análise da passagem da modernidade à pós-modernidade e a consequente desconstrução de discursos totalizantes, compreendendo que os próprios conceitos de “moderno” e “pós-moderno” são históricos, instáveis e controversos. Enquanto o modernismo pode ser entendido como uma resposta estética marcada pela fragmentação e pela nostalgia de unidade, o pós-modernismo tende a assumir e celebrar a perda dessa unidade, investindo em experimentalismo formal e em estratégias narrativas que tensionam convenções herdadas. Diante da polissemia desses termos, opta-se pelo uso da noção de “contemporâneo” para dar conta da multiplicidade de linguagens, práticas estéticas e tendências críticas do presente.
A linha objetiva caracterizar processos construtivos que problematizem as relações entre forma e conteúdo, considerando procedimentos como a contaminação de gêneros, o dialogismo intertextual, a apropriação, a paródia e as práticas combinatórias. Investigar tais manifestações permite compreender como a literatura responde à instabilidade dos valores atuais e repensar as relações do sujeito contemporâneo com o mundo em transformação.
Processo de Submissão
Mantendo o rigor acadêmico, todos os artigos submetidos passarão por um processo de avaliação por pares cega (double-blind review), garantindo a imparcialidade e a qualidade científica das publicações.
Página da chamada: https://revista.uniandrade.br/index.php/ScriptaUniandrade/announcement/view/22
Normas para submissão: https://revista.uniandrade.br/index.php/ScriptaUniandrade/about/submissions
Chamada periódico na área de Letras - SCRIPTA UNIANDRADE v. 24 n. 1 (2026)
A renomada revista acadêmica Scripta Uniandrade anunciou a abertura de submissões para o seu volume 24, número 1 (2026). O eixo temático "Políticas da Subjetividade", convida pesquisadores a explorarem as complexas interseções entre a literatura, o poder e a construção do "eu" em diferentes contextos históricos e culturais.
As submissões de artigos originais estão abertas e podem ser realizadas até o dia 30 de junho de 2026.
Foco e Escopo: O Sujeito em Perspectiva
O dossiê busca investigar como o texto literário atua como um espaço de articulação de forças que moldam a subjetividade humana. Mais do que apenas estética, a linha editorial compreende o discurso literário como uma resposta política a questões éticas, ontológicas e epistemológicas.
Texto da Chamada
O eixo temático Políticas da Subjetividade dedica-se aos estudos de cultura, teoria, história e crítica literária, com foco nos processos de construção da subjetividade nos contextos literário, histórico, político e cultural. Interessa-lhe investigar como o texto literário articula relações de poder que participam da formação do sujeito em suas dimensões política, ontológica, ética e epistemológica, produzindo saberes capazes de ampliar a compreensão das políticas que moldam as subjetividades no plano individual e coletivo.
A eixo contempla, de modo especial, as práticas de construção da subjetividade das minorias em textos de autores representativos dos grupos estudados. A subjetividade romântica é compreendida como um conjunto de valores identitários que expressa relações de força nos campos artístico, histórico e cultural de seu tempo. Ao centrar o discurso em um “eu” histórico e individualizado, o romantismo funciona como metodologia intermediária que, paradoxalmente, multiplica perspectivas sobre o humano.
A partir desse deslocamento, questiona-se a dicção clássica do sujeito universal, abrindo espaço para experiências marcadas pela fragmentação, pela errância e pela diferença — de raça, gênero, credo, forma e lugar. Nesse sentido, a linha investiga também as forças hegemônicas e totalitárias que buscam silenciar a diferença, analisando criticamente a instituição de valores nacionais e identidades dominantes. O conceito de política é entendido de modo ampliado, como prática social do poder, indissociável da própria constituição da subjetividade, à qual o discurso literário responde por meio de soluções poéticas.
Processo de Avaliação
Para garantir o rigor acadêmico e a isenção, todos os trabalhos enviados passarão pelo sistema de avaliação por pares cego (double-blind peer review). Os artigos serão encaminhados a pareceristas especializados da área de Letras.
Página da chamada: https://revista.uniandrade.br/index.php/ScriptaUniandrade/announcement/view/22
Normas para submissão: https://revista.uniandrade.br/index.php/ScriptaUniandrade/about/submissions
Web Revista Linguagem, Educação e Memória abre Chamada para Publicações em 2026
A Web Revista Linguagem, Educação e Memória anunciou a abertura de submissões para suas próximas edições. Classificada como B2 no Qualis-Capes (2021-2024), a revista consolida-se como um importante veículo para a difusão acadêmica nas áreas de Letras, Educação e História.
Pesquisadores, docentes e pós-graduandos podem submeter trabalhos em duas frentes distintas:
1. Seção Atemática (Fluxo Contínuo)
A revista mantém a recepção de trabalhos de temática livre, desde que inseridos no escopo do periódico. Estão sendo aceitos:
Artigos inéditos.
Resenhas de livros publicados nos últimos 5 anos.
Por operar em sistema de fluxo contínuo, as submissões para esta seção podem ser realizadas a qualquer momento, garantindo maior agilidade no processo de avaliação e publicação.
2. Seção Temática: "Pesquisas de Campo em Letras e/ou Educação"
Além do fluxo regular, a revista destaca a chamada para o dossiê temático focado em pesquisas de campo. O objetivo é reunir estudos, brasileiros ou internacionais, que abordem a prática investigativa em diversos contextos.
Eixos de interesse da Seção Temática:
Pesquisas de campo qualitativas, quantitativas ou mistas nas áreas de Letras e/ou Educação, no Brasil ou exterior;
Pesquisas-ação nas áreas de Letras e/ou Educação, no Brasil ou exterior;
Observação-participante nas áreas de Letras e/ou Educação, no Brasil ou exterior;
Pesquisas de campo com professores em formação sobre crenças, identidade docente ou outras temáticas;
Pesquisas de campo com egressos de Letras e/ou Educação;
Diários de campo em Letras e/ou Educação, no Brasil ou exterior;
A importância das pesquisas de campo para as políticas públicas, principalmente nas áreas de Letras e/ou Educação;
As dificuldades no planejamento e na condução de pesquisas de campo nas áreas de Letras e/ou Educação, no Brasil ou em outros países;
Questões de ética nas pesquisas de campo nas áreas de Letras e/ou Educação, no Brasil ou em outros países;
Desafios para pesquisas de campo interdisciplinares, desde que considerando o escopo da Revista;
Demais temáticas relacionadas e não listadas.
Importante: Os interessados devem seguir as normas de formatação disponíveis no portal oficial da revista. A submissão é feita integralmente de forma online.
Acesse a chamada completa: https://periodicosonline.uems.br/WRLEM/announcement/view/177
Professor Assistente: entenda o cargo e as etapas da carreira docente
O cargo de Professor Assistente é um dos degraus fundamentais na estrutura da carreira docente no Brasil, especialmente nas instituições de ensino superior (IES). Embora a nomenclatura possa variar levemente entre o setor público e o privado, ou conforme a legislação de cada estado, o termo geralmente designa um profissional que já possui uma trajetória acadêmica consolidada, mas que ainda se encontra em uma fase intermediária de progressão.
Definição e Requisitos Acadêmicos
No modelo de carreira das Universidades Federais brasileiras (Lei nº 12.772/2012), a carreira de magistério superior é dividida em classes. O Professor Assistente é tipicamente aquele que possui o título de Mestre.
Historicamente, a hierarquia segue esta lógica simplificada:
Professor Auxiliar: Graduados ou Especialistas.
Professor Assistente: Mestres.
Professor Adjunto: Doutores.
Professor Associado: Doutores com tempo de serviço e produção científica relevante.
Professor Titular: O topo da carreira, alcançado mediante concurso de provas e títulos ou defesa de memorial.
Portanto, a principal característica do Professor Assistente é a obtenção do grau de mestre. Esse título indica que o profissional não apenas domina o conteúdo técnico de sua área, mas também foi treinado em metodologia científica e contribuiu com uma dissertação original para o campo do conhecimento.
Atribuições e Responsabilidades
A atuação de um Professor Assistente é multifacetada, equilibrando-se no famoso "tripé acadêmico": Ensino, Pesquisa e Extensão.
Ensino
Esta é a atividade mais visível. O professor assistente é responsável por ministrar aulas em cursos de graduação e, em alguns casos, em cursos de especialização (lato sensu). Ele deve elaborar planos de ensino, selecionar bibliografias, aplicar avaliações e orientar trabalhos de conclusão de curso (TCC).
Pesquisa
Diferente de um instrutor técnico, o professor assistente deve estar engajado na produção de conhecimento. Isso envolve a participação em grupos de pesquisa, a publicação de artigos em periódicos científicos, a apresentação de trabalhos em congressos e, frequentemente, a preparação para o doutorado. Muitas instituições oferecem incentivos e licenças para que o Professor Assistente realize seu doutoramento, visando a progressão para a classe de Adjunto.
Extensão
O professor atua como uma ponte entre a universidade e a sociedade. Isso pode ocorrer através de projetos comunitários, cursos abertos à população, prestação de consultorias técnicas ou eventos culturais.
Diferença entre Setor Público e Privado
No setor público, o ingresso ocorre obrigatoriamente por concurso público de provas e títulos. Uma vez aprovado, o professor tem uma carreira estruturada, com aumentos salariais e mudanças de classe (promoção) atrelados à obtenção de novos títulos acadêmicos e avaliações de desempenho.
No setor privado, a nomenclatura "Assistente" pode ser usada de forma mais flexível, às vezes referindo-se a professores que auxiliam um docente titular em turmas muito grandes, ou simplesmente como uma faixa salarial dentro do plano de cargos e salários da instituição, também vinculada à titulação de mestre.
O Desafio da Progressão
Para o Professor Assistente, a carreira é marcada pela transitoriedade. No ambiente acadêmico atual, o título de doutor é cada vez mais exigido não apenas para a progressão salarial, mas para a sobrevivência em editais de fomento à pesquisa e para a atuação em programas de pós-graduação stricto sensu (Mestrado e Doutorado).
Assim, o Professor Assistente vive um momento de alta carga de trabalho: ele precisa cumprir suas horas em sala de aula, realizar as burocracias administrativas do departamento e, simultaneamente, produzir ciência de alto nível para ascender ao próximo estágio da carreira.
Importância para a Instituição
O Professor Assistente é, muitas vezes, o "motor" das faculdades. Por estarem em uma fase ativa de formação e ascensão, esses profissionais costumam trazer novas metodologias de ensino, estão mais próximos das linguagens tecnológicas recentes e demonstram grande engajamento em atividades de gestão institucional, como coordenação de cursos ou participação em conselhos universitários.
Ser um Professor Assistente é ocupar uma posição de liderança intelectual em desenvolvimento. É o profissional que garante a qualidade do ensino de base na graduação, enquanto se prepara para os níveis mais profundos da pesquisa científica.
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Revista Entretextos (UEL) abre chamada para dossiê sobre a plataformização do ensino
A Revista Entretextos, periódico científico da Universidade Estadual de Londrina (UEL) com classificação Qualis A4 na área de Letras e Linguística, anunciou a abertura de submissões para seu mais novo dossiê temático: "Entre Telas e Salas: A Plataformização do Ensino em Debate".
O objetivo da publicação é reunir pesquisas que analisem criticamente como a dependência de plataformas digitais está reconfigurando a gestão, o consumo de conteúdo e as relações pedagógicas no cenário educacional contemporâneo.
Resumo da chamada
A temática plataformização do ensino explora a crescente mediação de plataformas digitais nas práticas educacionais, abrangendo desde a gestão e oferta de conteúdo até as metodologias de ensino-aprendizagem e as relações pedagógicas. No Brasil, o fenômeno da plataformização tem
sido alvo de inúmeras investigações, desde a análise de políticas educacionais implementadas no período da pandemia (Silva, 2022), discussões acerca do fenômeno por meio de uma perspectiva teórico/crítica (Balieiro, 2022), o impacto no sistema de avaliação na qualidade da educação (Savaris, 2022; Matos, 2022), a investigação das ferramentas de controle implementadas pelo governo (Vieira, 2023; Sabadini et al., 2022), o conceito de ciberdemocracia de Lévy (Ferreira, 2023), a precarização do trabalho docente (Cavazzani et al, 2023), entre outros. Este dossiê busca aprofundar o debate sobre como esse fenômeno reconfigura o processo educativo, convidando à reflexão crítica sobre os desafios e oportunidades impostos pela dependência tecnológica, as implicações sociais, políticas, éticas e pedagógicas, além de analisar o papel de algoritmos e da inteligência artificial na construção de novos cenários educacionais e as questões de equidade, acesso e autonomia docente e discente neste contexto.
Sugestões de tópicos para submissão incluem, mas não se limitam a
- Impactos da plataformização nas metodologias de ensino e aprendizagem.
- Desafios e potencialidades do uso de plataformas digitais na prática docente.
- Formação de professores para ambientes de ensino plataformizados.
- Aspectos críticos da regulação e da governança das plataformas educacionais.
- Relações entre inteligência artificial, algoritmos e a plataformização do ensino.
- Implicações da plataformização para a autonomia docente e discente.
- Questões de privacidade, dados e segurança em plataformas educacionais.
- Acesso, equidade e inclusão em ambientes de ensino digitalizados.
- Plataformização e reestruturação curricular.
- Experiências e estudos de caso sobre a adaptação e resistência à plataformização.
Os trabalhos devem ser originais e inéditos, seguindo as diretrizes e normas de publicação da Revista Entretextos, disponíveis em nosso portal: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/entretextos/about/submissions
Prazos
Submissão: até 15 de março de 2026.
Previsão para publicação: julho de 2026
Comissão organizadora
Andressa Cristina Molinari (UFF)
Josimayre Novelli (UEM)
Samantha Gonçalves Mancini Ramos (UEL)
Página da chamada: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/entretextos/announcement/view/613
Revista Terra Roxa e Outras Terras: Dossiê Convoca Pesquisadores para Explorar a Interseção entre Literatura e Psicanálise
Desde os primeiros escritos de Sigmund Freud, a literatura não foi apenas um passatempo, mas a própria base sobre a qual se ergueu o edifício da psicanálise. Reconhecendo os poetas como "aliados valiosíssimos" que antecipam o conhecimento científico sobre a alma, Freud traçou um caminho de mão dupla que, décadas depois, continua a render frutos teóricos e clínicos.
Para celebrar e aprofundar essa conexão, os professores Hermano de França Rodrigues (UFPB) e Gustavo Figliolo (UEL) anunciaram a abertura de chamadas para um novo dossiê acadêmico, a ser publicado no periódico Terra Roxa e Outras Terras: Revista de Estudos Literários. O projeto busca reunir artigos que investiguem como a ficção e a teoria psicanalítica se retroalimentam, desde o aprofundamento desses estudos na década de 1970 até os desafios da contemporaneidade.
Texto da chamada para publicação
A relação entre Literatura e Psicanálise constitui uma das interseções interdisciplinares mais frutíferas e complexas no campo das ciências humanas, a partir do aprofundamento de seu estudo na década de 1970 e até nossa contemporaneidade, fundando um diálogo que enriqueceu tanto a teoria literária quanto a prática clínica desde os primeiros escritos de Sigmund Freud. O fundador da psicanálise reconheceu explicitamente sua dívida para com a literatura como fonte de insights sobre o funcionamento da psique humana, enquanto escritores modernistas e pós-modernos têm incorporado cada vez mais, consciente ou inconscientemente, conceitos psicanalíticos para a exploração de novos territórios narrativos.
A interface entre a literatura e a psicanálise tem constituído um vínculo vital na construção da teoria psicanalítica desde seus primórdios, ao ponto que Freud postulava que o melhor psicanalista seria alguém que tivesse uma sólida formação em áreas humanísticas, mencionando em primeiro lugar a literatura, antes que a filosofia. A trajetória da obra de Freud atravessou praticamente todos os campos do saber, mas foi principalmente na literatura que a fundamentação básica da teoria psicanalítica encontrou respostas que sustentavam, metaforicamente, as conclusões obtidas sobre estados específicos das patologias clínicas: da comprovação empírica na clínica à ficção, existia um sucedâneo de uma narrativa (eis o texto do inconsciente) que pugnava por vir à luz e impor sua verdade. Ao ponto de manifestar que “os poetas são valiosíssimos aliados, cujo testemunho deve estimar-se em alto grau, pois costumam conhecer muitas coisas existentes entre o céu e a terra que nem sequer suspeita a nossa filosofia”. Este empréstimo shakespeariano não constitui um fato isolado, pois a obra freudiana está permeada por textos literários — contos, romances, lendas e mitos — que propõem conceitos e categorias específicos da estrutura e do funcionamento do aparelho psíquico. Basta lembrar de seus estudos sobre Édipo Rei, de Sófocles, Hamlet, de Wiliam Shakespeare, Os Irmãos Karamazov, de Fiódor Dostoiévski, Gradiva, de Wilhelm Jensen, e O homem da areia, de E.T.A. Hoffman.
Essa necessidade de recorrer ao texto literário está dada em função do aporte que este realiza ao dar forma, nas entrelinhas da enunciação e das significações inconscientes, à realização do desejo humano e à manifestação pulsional que impele o sujeito à vida; no dizer de João Guimarães Rosa: “nasce um menino, torna o mundo a começar”. O foco temático deste Dossiê procura textos que, a partir de uma abordagem de leitura desde o olhar psicanalítico, façam uma análise desse recomeço perene e da busca incessante pela realização desse desejo.
Propomos alguns eixos de possibilidades de propostas:
- Análises de leituras sobre a representação do psicanalista (Roth, Svevo, Tezza);
- Formulações sobre as tendências da crítica literária psicanalítica (Bellemin-Noël; Eagleton, T. Ogden);
- Investigações em torno do campo lacaniano e do texto literário;
- Escritas sobre os biógrafos e as biografias da psicanálise;
- Indagações acerca do mal-estar na civilização;
- Perscrutação dos mitos na psicanálise;
- Exame dos diversos conceitos da teoria psicanalítica à luz do texto literário;
- Exploração das grandes temáticas da literatura à luz da teoria psicanalítica;
- Estudo das épocas estéticas sob o olhar psicanalítico.
Cronograma e Submissões
Pesquisadores interessados em contribuir para esta cartografia do psiquismo humano devem ficar atentos aos prazos:
Prazo Final para Submissão: 10 de julho de 2026
Início da Avaliação: Agosto de 2026
Página da chamada: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/terraroxa/announcement/view/621
Condições para submissão: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/terraroxa/about/submissions
Defesa de Memorial: o que é como se preparar para essa etapa em concursos públicos?
A Defesa de Memorial é, sem dúvida, a etapa mais subjetiva, profunda e biográfica dos concursos para o magistério superior e para carreiras docentes de alto nível. Diferente da prova objetiva (que mede o conhecimento imediato) ou da prova didática (que mede a performance técnica), a defesa de memorial é o momento em que o candidato apresenta a sua identidade profissional e acadêmica à banca examinadora. Trata-se de uma exposição oral, seguida de arguição, sobre um documento escrito onde o candidato narra sua trajetória, suas escolhas intelectuais, suas produções e suas projeções para o futuro dentro da instituição.
É, essencialmente, a construção de uma narrativa que conecta o passado do docente ao seu potencial futuro como servidor público. Para se preparar adequadamente, é preciso compreender que o memorial não é um simples Currículo Lattes em prosa; ele é uma análise crítica e reflexiva sobre a maturidade do acadêmico.
O Que é o Memorial e a sua Defesa?
O memorial é um documento autobiográfico onde o candidato descreve suas atividades de ensino, pesquisa, extensão e gestão. A Defesa, por sua vez, é o rito em que o candidato tem um tempo determinado (geralmente entre 30 e 50 minutos) para sintetizar essa trajetória perante uma banca de especialistas. Após a fala inicial, os examinadores iniciam a arguição, questionando pontos específicos, pedindo justificativas para escolhas metodológicas ou indagando sobre como o candidato pretende contribuir para o departamento caso seja contratado.
O objetivo da banca nesta fase é avaliar a consistência da carreira. Eles buscam entender se o candidato possui uma linha de pesquisa clara, se ele é capaz de articular teoria e prática e se ele possui a "estatura" necessária para ocupar o cargo, demonstrando autonomia intelectual e liderança acadêmica.
Como Preparar o Documento Escrito
A preparação para a defesa começa meses antes, na redação do memorial. Um bom memorial deve ser dividido em eixos temáticos:
Formação Acadêmica: Não liste apenas datas; explique como o seu mestrado ou doutorado moldou seu pensamento.
Atividades de Ensino: Descreva sua filosofia pedagógica, disciplinas ministradas e experiências marcantes com alunos.
Produção Intelectual e Pesquisa: Destaque suas publicações mais relevantes e explique a coerência entre elas.
Extensão e Gestão: Mostre como você levou o conhecimento para fora da academia e se já exerceu cargos administrativos.
Plano de Trabalho: Este é um diferencial. Projete o que você fará se for aprovado: quais projetos de pesquisa pretende abrir? Quais disciplinas quer criar?
A Estratégia de Preparação para a Defesa Oral
Uma vez que o memorial escrito foi entregue, a preparação para a defesa oral deve ser meticulosa. O candidato não deve ler o memorial, mas sim interpretá-lo.
1. Roteirização e Seleção: Como o tempo é limitado, você não conseguirá falar tudo. Escolha os "pontos de inflexão" da sua carreira — momentos em que você mudou de perspectiva ou alcançou um resultado significativo. Crie um roteiro que tenha uma introdução impactante, um desenvolvimento fluido e uma conclusão que demonstre entusiasmo pela vaga.
2. Uso de Suporte Visual: Se o edital permitir, prepare slides. Eles devem ser sóbrios, elegantes e servir apenas de guia. Use gráficos para mostrar o crescimento de suas publicações ou fotos de projetos de extensão. O visual ajuda a banca a manter a atenção na sua trajetória sem que você precise ler textos longos na tela.
3. Simulação de Arguição: Peça para colegas ou orientadores lerem seu memorial e fazerem perguntas difíceis. Geralmente, as bancas questionam lacunas na produção, mudanças bruscas de área de atuação ou a viabilidade do plano de trabalho proposto. Estar pronto para responder com humildade e segurança técnica é o segredo do sucesso.
Durante a Defesa: Postura e Comunicação
No dia da defesa, a sua postura comunica tanto quanto suas palavras. Vista-se de forma profissional, adequada ao ambiente acadêmico. Mantenha uma voz firme e olhe nos olhos dos examinadores.
Na fase da arguição, o comportamento deve ser de diálogo, não de confronto. Quando um examinador fizer uma crítica, agradeça a observação e responda de forma fundamentada. O memorial é o momento de mostrar que você é um par acadêmico da banca. Evite ser excessivamente modesto a ponto de esconder suas conquistas, mas evite a arrogância. O equilíbrio entre o reconhecimento do seu mérito e a abertura para continuar aprendendo é o que define um perfil docente de excelência.
A Importância da Reflexão Crítica
O que diferencia uma defesa de memorial nota 10 de uma nota 7 é a capacidade de autocrítica. Um candidato que consegue dizer: "Nesta fase da minha carreira, foquei em tal área, mas percebi que os resultados seriam melhores se eu tivesse adotado tal metodologia, e por isso hoje trabalho desta forma", demonstra maturidade. A banca valoriza quem sabe para onde está indo porque compreende de onde veio.
Além disso, estude o perfil do departamento para o qual você está concorrendo. Se o departamento é focado em pesquisa aplicada, enfatize sua produção técnica. Se é um centro voltado para a formação de professores, dê peso total à sua experiência de ensino. A sua defesa deve "ecoar" as necessidades da instituição que vai te acolher.
A defesa de memorial é, em última análise, um rito de passagem. Para se preparar, o candidato deve mergulhar na própria história, organizar seus certificados e, acima de tudo, construir um discurso que mostre que sua entrada naquela universidade ou prefeitura não é um acaso, mas o passo natural de uma trajetória construída com rigor e paixão pela educação. Treine a oratória, revise seus marcos profissionais e apresente-se não como alguém que quer apenas o emprego, mas como alguém que tem um projeto de vida acadêmica a oferecer à sociedade.
