O que é MAL-ESTAR para a Psicanálise? Entenda o conflito entre o desejo e a cultura

O conceito de mal-estar na psicanálise transcende a ideia comum de uma simples tristeza ou descontentamento passageiro. Introduzido formalmente por Sigmund Freud em sua obra seminal de 1930, O Mal-Estar na Civilização, o termo define uma condição estrutural e inerente à experiência humana. Para a psicanálise, o sofrimento não é um erro de percurso que pode ser totalmente erradicado pela tecnologia, pela política ou pela medicina, mas sim o resultado de um conflito insolúvel entre os nossos impulsos mais primitivos e as exigências da vida em sociedade.

Compreender o mal-estar exige mergulhar na complexa relação entre o sujeito e a cultura. Por um lado, a civilização nos oferece proteção contra as intempéries da natureza e regula as relações interpessoais para evitar o caos da violência desenfreada. Por outro lado, essa mesma civilização exige uma renúncia pulsional constante: somos obrigados a reprimir nossos desejos e agressividade em troca de segurança e aceitação. Esse processo de "domesticação" deixa um resíduo de insatisfação que se manifesta como culpa, ansiedade e angústia.

Ao longo das décadas, esse conceito foi expandido por teóricos como Jacques Lacan, que associou o mal-estar à própria entrada do ser humano no mundo da linguagem e do desejo, onde a plenitude é inalcançável. Hoje, o mal-estar assume novas formas, como o esgotamento, a depressão e a ansiedade performática, refletindo as pressões de uma sociedade que substituiu a repressão pelo imperativo do consumo e da felicidade obrigatória.

O CONFLITO INERENTE ENTRE PULSÃO E CIVILIZAÇÃO

Para a psicanálise, o mal-estar não é um erro de percurso da evolução humana, mas um subproduto inevitável da civilização. Em sua obra de 1930, O Mal-Estar na Civilização (Das Unbehagen in der Kultur), Sigmund Freud estabelece uma tese central: existe um antagonismo irreconciliável entre as exigências pulsionais do indivíduo e as restrições impostas pela cultura.

O ser humano é movido pelo Princípio do Prazer, que busca a satisfação imediata de impulsos sexuais e agressivos. No entanto, para que a vida em sociedade seja possível, é necessário que o indivíduo renuncie a uma parcela significativa dessa satisfação. A civilização exige ordem, limpeza, beleza e, acima de tudo, a sublimação das pulsões.

Essa troca, segurança por felicidade, gera um resíduo de insatisfação crônica. O "mal-estar" é, portanto, o preço que pagamos pela proteção contra a natureza, contra o sofrimento do corpo e contra a violência dos outros. O sujeito civilizado é, por definição, um sujeito frustrado.

A RENÚNCIA PULSIONAL E A FORMAÇÃO DO SUPEREGO

O processo de entrada na cultura exige que a agressividade, que originalmente seria dirigida ao mundo externo, seja internalizada. É aqui que entra a figura do Superego. Quando o indivíduo abre mão de realizar seus desejos "proibidos" por medo de perder o amor das figuras de autoridade (e, mais tarde, da sociedade), essa energia agressiva não desaparece; ela é redirecionada para o próprio Eu.

O mal-estar manifesta-se, então, como um sentimento de culpa. O Superego torna-se uma instância vigilante e punitiva que castiga o Ego não apenas pelas ações cometidas, mas também pelos próprios pensamentos e desejos inconscientes. Quanto mais virtuoso um indivíduo tenta ser, mais severo o seu Superego pode se tornar, gerando uma tensão psíquica constante que Freud identifica como a fonte do sentimento de inferioridade e da ansiedade social.

O MAL-ESTAR COMO ESTRUTURA: O DESEJO E A FALTA

Expandindo a visão freudiana, Jacques Lacan reformula o mal-estar através da ideia da falta constitutiva. Para a psicanálise lacaniana, o ser humano é um "ser de falta". Desde o momento em que entramos na linguagem (o Grande Outro), somos separados da plenitude mítica da união com a mãe.

O mal-estar, sob esta ótica, decorre do fato de que o desejo humano é insaciável. Desejamos sempre "outra coisa", pois o objeto que realmente buscamos (o objeto a) é perdido para sempre no processo de simbolização. A linguagem, embora nos permita comunicar e existir socialmente, nunca é capaz de traduzir perfeitamente o que sentimos. Há sempre um "resto", um inefável que não se deixa nomear, e esse hiato entre o que se sente e o que se diz é uma fonte perene de mal-estar existencial.

AS TRÊS FONTES DO SOFRIMENTO HUMANO

Freud categoriza as origens do nosso sofrimento em três frentes principais, que tornam o mal-estar uma experiência onipresente:

  1. A supremacia da natureza: O reconhecimento de que somos impotentes diante de catástrofes naturais, doenças e a inevitabilidade da morte.

  2. A fragilidade do nosso corpo: O corpo é um organismo destinado à decadência e à dor, funcionando como uma fonte constante de ansiedade.

  3. A insuficiência das normas que regulam os vínculos humanos: Esta é a fonte mais dolorosa, pois vem das instituições que nós mesmos criamos (família, estado, leis). O fato de não conseguirmos criar uma organização social que satisfaça a todos e evite o conflito interpessoal é o cerne do mal-estar cultural.

Enquanto as duas primeiras fontes são aceitas como "leis da vida", a terceira gera revolta e neurose, pois parece ser algo que poderíamos mudar, mas falhamos continuamente em fazê-lo.

O MAL-ESTAR NA CONTEMPORANEIDADE: NOVAS FORMAS DE SINTOMA

No século XXI, o mal-estar mudou de face, mas não desapareceu. Se na época de Freud o sofrimento advinha do excesso de repressão e da proibição, hoje vivemos em uma cultura que muitas vezes exige o imperativo do gozo.

Atualmente, o mal-estar não se manifesta apenas como a "histeria" clássica, mas como:

  • Depressão e Burnout: A exaustão de um Ego que se cobra produtividade infinita.

  • Ansiedade Generalizada: O pavor diante de um excesso de possibilidades e da falta de limites claros.

  • Adicções: A tentativa desesperada de tamponar a falta constitutiva através de objetos de consumo ou substâncias.

O mal-estar contemporâneo reflete o declínio das grandes narrativas (religião, tradição) que antes davam sentido ao sofrimento. Sem essas bússolas, o sujeito moderno encontra-se desamparado, confrontado diretamente com o vazio de sua própria existência, reafirmando que o mal-estar é a condição inerradicável da humanidade.

Sugestão de leitura sobre essa temática

O mal-estar na civilização

Sigmund Freud

O mal-estar na civilização é uma penetrante investigação sobre as origens da infelicidade, sobre o conflito entre indivíduo e sociedade e suas diferentes configurações na vida civilizada.

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Addiction and Fixations: A Psychoanalytic Perspective

Ilustração surrealista e sombria que explora o conceito de dependência e múltiplos vícios.

Addiction, though a term more frequently associated with medicine, psychiatry, and behavioral sciences, holds a very particular theoretical and clinical place within psychoanalysis. From Freud to contemporary authors, the understanding of the addictive phenomenon goes beyond the idea of chemical or behavioral dependency, reaching the structural dimensions of the subject, ways of dealing with desire, with anxiety (angústia), and with the drive economy (economia pulsional). Psychoanalysis does not reduce addiction to a substance problem but understands it as a specific form of the subject's relationship with the object, the body, and jouissance (gozo).

At the same time, the concept of fixation, central to Freudian theory, offers a fundamental key to understanding why certain subjects become more vulnerable to addictive behaviors. Fixation, understood as a libidinal rooting in certain stages of development or specific modes of satisfaction, creates points of rigidity in the psychic economy that can serve as a basis for the formation of symptoms, including addictions.

The objective of this text is to explore, in depth, the meaning of addiction for psychoanalysis and its intimate relationship with fixations, articulating fundamental concepts, theoretical developments, and clinical implications.

Addiction as a Mode of Object Relation

In psychoanalysis, addiction is not understood merely as dependence on a substance or a behavior, but as a modality of the bond with the object. This object can be chemical (alcohol, drugs, medication), behavioral (gambling, sex, shopping, food), or even symbolic (relationships, ideals, patterns). What defines addiction is not the object itself, but the way the subject relates to it.

The object as a supplement to desire 

For Freud, desire is structurally marked by lack (falta). The human subject is constituted by a fundamental incompleteness, and it is this lack that drives desire. However, the addict attempts to abolish this lack through an object that promises immediate, totalizing, and repetitive satisfaction. Addiction, therefore, functions as an attempt to "plug" the structural lack, offering the subject an illusion of completeness.

In this sense, the addictive object is not just something that provides pleasure, but something that occupies the place of a psychic operator: it regulates anxiety, organizes daily life, and structures time and the body. It becomes a kind of "subjective prosthesis."

Repetition as the hallmark of compulsion 

Freud described the repetition compulsion (compulsão à repetição) as a phenomenon that goes beyond the pleasure principle. In addiction, this compulsion manifests clearly: the subject repeats the addictive act even when it no longer produces pleasure, even when it causes suffering, harm, or risk. Repetition, in this case, does not aim at pleasure, but at the maintenance of a psychic economy that depends on that object to avoid disorganization.

Jouissance as excess 

Lacan introduces the concept of jouissance (gozo) to designate a type of satisfaction that exceeds pleasure and is often experienced as suffering. The addict seeks this jouissance, which is simultaneously alluring and destructive. The addictive object allows the subject to access a jouissance that bypasses the Symbolic, that is, it does not pass through the mediation of language, the law, or the Other.

For this reason, addiction is often described as a solitary relationship: the subject withdraws, breaks bonds, and avoids the Other. The addictive object is an absolute partner that demands nothing, does not speak, and does not frustrate, but charges a high price.

Fixations in Freudian Theory: Foundations and Implications

The concept of fixation is central to Freud's theory of psychosexual development. It refers to the rooting of the libido in specific erogenous zones, phases, or modes of satisfaction. Fixation occurs when the subject finds, at some point in development, a form of satisfaction so intense or problematic that they cannot fully abandon it.

Fixations and regressions Fixation is the point where the libido remains anchored. Regression is the movement of returning to that point when the subject faces conflicts or frustrations. In situations of anxiety, the subject may regress to more primitive modes of satisfaction that are more immediate and less mediated by the symbolic. Addiction can be understood as a form of regression: the subject returns to a mode of satisfaction that dispenses with the complexity of human relationships.

Fixations and drive organization 

Freud described three main phases of psychosexual development: oral, anal, and phallic.

  • In the oral phase, the object is incorporated; satisfaction is linked to ingestion, fusion, and dependency.

  • In the anal phase, the object is expelled; satisfaction involves control, retention, and expulsion.

  • In the phallic phase, the object is symbolic; satisfaction involves identification, rivalry, and the law.

Fixations can occur in any of these phases, and each type can predispose the subject to specific forms of addiction:

  • Oral fixations may manifest in addictions related to ingestion (alcohol, food, drugs).

  • Anal fixations may manifest in addictions related to control (gambling, compulsive work).

  • Phallic fixations may manifest in addictions related to power, risk, or performance.

Contemporary Perspectives: Lacan, Winnicott, and Beyond

Lacan: Object a and Jouissance For Lacan, addiction is linked to the object petit a, the object-cause of desire. The addictive object functions as an object a that the subject tries to capture but which can never be fully seized. Moreover, the addict seeks a "dark" jouissance that bypasses the limitations of the law.

Winnicott: Environmental Failures and Object Use Winnicott highlights the role of the environment. Addiction may arise when the environment fails to offer adequate holding, containment, and mirroring. The addictive object then functions as a pathological transitional object: it offers an illusion of control and safety but prevents the development of true autonomy.

Clinical Implications

The clinic of addiction is challenging. The subject often presents resistance, acting out, ruptures in the transference, and difficulties in symbolization.

  • Transference: Must be managed carefully to avoid both "fusion" with the patient or abandonment.

  • Acting Out: The subject acts instead of speaking. The analyst must interpret the meaning of the act without moralizing.

  • The Setting (Enquadre): Fundamental to offering the subject an experience of stability and containment they lacked in the past.

Final Considerations 

In psychoanalysis, addiction is an attempt to deal with lack, anxiety, and failures in symbolization. Fixations provide the "anchor points" for this regression. To understand addiction is to recognize that the addict is not just someone who has lost control, but someone who found, in the addiction, a precarious solution to deep psychic conflicts.



O que significa PUER AETERNUS para a Psicologia Analítica?

O conceito do Puer Aeternus é uma das pedras angulares da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, servindo como uma ponte entre o mito e a patologia clínica moderna. O termo, derivado das Metamorfoses de Ovídio, descreve o "menino eterno", uma figura que se recusa a crescer, mantendo-se em um estado de potencialidade infinita, mas sem nunca se concretizar na realidade terrena.

A Gênese Arquetípica do Menino Eterno

Para compreender o complexo do Puer Aeternus, é necessário primeiro distinguir entre o complexo (a manifestação pessoal na psique de um indivíduo) e o arquétipo (a estrutura universal subjacente). Na mitologia, o Puer é uma divindade de renovação, como Iaco, Dionísio ou o Eros órfico. Ele representa a juventude, a criatividade, a aurora e a esperança. É o espírito do novo que rompe com as estruturas velhas e estagnadas do "Senex" (o velho).

No entanto, quando essa energia arquetípica domina a personalidade de um homem adulto de forma inconsciente, surge o complexo. Marie-Louise von Franz, a principal colaboradora de Jung que sistematizou o estudo sobre o tema, descreve o Puer como aquele que permanece por tempo demais na psicologia adolescente. Esse indivíduo vive uma "vida provisória" (vie provisoire). Há uma sensação onipresente de que a vida real ainda não começou; de que o emprego atual, o relacionamento presente ou a cidade onde vive são apenas estações temporárias de uma jornada que levará a algo "grandioso" no futuro.

O Puer é frequentemente dotado de um charme magnético e uma inteligência vivaz, mas falta-lhe o solo. Ele voa alto demais, como Ícaro, cujas asas de cera derreteram ao se aproximar do sol. Esse simbolismo do voo é crucial: o Puer detesta limites, amarras e a "lama" da realidade cotidiana. Ele prefere o mundo das ideias, da fantasia e das possibilidades infinitas ao compromisso prático que a vida adulta exige.

A Relação Simbiótica com o Complexo Materno

Não se pode falar de Puer Aeternus sem abordar a figura da Mãe Terrível ou da Mãe Devoradora. Na visão junguiana, o Puer é quase sempre o resultado de uma fixação materna excessiva. A mãe, muitas vezes insatisfeita em seu próprio relacionamento conjugal ou carente de realização pessoal, projeta no filho a sua necessidade de anima e sentido. Ela o mantém "encantado" em seu reino, impedindo-o de enfrentar o mundo exterior.

Essa relação cria um laço invisível onde o filho se sente especial, um "escolhido". No entanto, esse privilégio tem um custo devastador: a castração da vontade. O Puer não consegue se separar da mãe (psicologicamente falando) porque teme perder o suprimento de admiração e conforto que ela provê. Como resultado, ele desenvolve uma aversão inconsciente a qualquer situação que se assemelhe a um confinamento, o que inclui casamentos estáveis, responsabilidades financeiras e carreiras de longo prazo.

Para o Puer, qualquer compromisso é visto como uma prisão que o afasta de sua liberdade "divina". Ele busca mulheres que, inconscientemente, desempenham o papel de mãe (provendo cuidado e estabilidade) ou, paradoxalmente, busca a "mulher impossível" (alguém inalcançável ou idealizada), o que lhe permite manter o status de solteiro eterno sob o disfarce de um romântico em busca da alma gêmea perfeita.

O Fenômeno da Vida Provisória e a Recusa ao Solo

A característica mais distintiva do complexo é a vida provisória. O homem dominado por este complexo possui um medo paralisante de ser "pego" pela realidade material. Para ele, o trabalho é apenas um meio para um fim, ou algo que ele faz enquanto espera sua "verdadeira vocação" se manifestar milagrosamente. Ele é o eterno estudante, o artista que nunca termina sua obra ou o empreendedor que pula de ideia em ideia sem nunca consolidar um negócio.

Essa recusa ao solo manifesta-se fisicamente e psicologicamente. Há uma tendência a hobbies que envolvam distanciamento da terra, como aviação, alpinismo ou o uso de substâncias que expandem a consciência (drogas psicodélicas), buscando sempre o "alto". O problema é que, ao evitar a descida à terra, ao comum, ao ordinário e ao limitado, o Puer evita a própria vida.

Jung afirmava que "a vida é um negócio curto". O Puer, por outro lado, age como se tivesse a eternidade à disposição. Ele não aceita que o tempo está passando e que suas potencialidades, se não forem exercidas, murcharão. A resistência em fazer uma escolha é a resistência em aceitar a morte de todas as outras opções. Escolher uma profissão significa "matar" todas as outras possíveis carreiras; escolher uma parceira significa abdicar de todas as outras mulheres. O Puer, querendo ser tudo, acaba por não ser nada.

A Tensão entre o Puer e o Senex

A saúde psíquica, na Psicologia Analítica, depende do equilíbrio entre opostos. O oposto polar do Puer é o Senex (o Velho, o Cronos). Enquanto o Puer é movimento, ascensão e novidade, o Senex é estabilidade, estrutura, ordem, tempo e limitação. O Senex é a disciplina que permite que a inspiração do Puer se transforme em uma obra concreta.

Em um desenvolvimento saudável, o Puer e o Senex trabalham juntos: o Puer traz o entusiasmo e a visão, enquanto o Senex provê a paciência e o método. No entanto, no indivíduo com o complexo, esses dois arquétipos estão dissociados. O Puer vê o Senex apenas como um inimigo, a autoridade opressora, o pai crítico ou o sistema burocrático que deseja podar suas asas.

Por não integrar o Senex de forma interna, o Puer acaba sendo "atropelado" por ele externamente. O tempo (Cronos/Senex) acaba passando de qualquer maneira, e o homem que se recusou a envelhecer conscientemente acorda um dia percebendo que é um "jovem de 50 anos" sem raízes, sem conquistas reais e com um sentimento profundo de amargura. A integração do Senex exige o sacrifício do egocentrismo infantil e a aceitação de que a liberdade real só é encontrada dentro dos limites da responsabilidade.

O Caminho da Cura: O Trabalho e a Realidade

Marie-Louise von Franz foi enfática ao apontar o único "remédio" eficaz para o Puer Aeternus: o trabalho. Mas não qualquer trabalho; trata-se do trabalho aplicado, rotineiro e, muitas vezes, desinteressante. É o que ela chamava de le travail no sentido de esforço contínuo contra a resistência da matéria.

A cura não vem através de mais análises intelectuais ou de epifanias espirituais, pois o Puer já vive no mundo das ideias e adora "analisar-se" como forma de evitar a ação. A cura vem do ato de plantar os pés no chão. Isso significa:

  • Assumir a responsabilidade pelas próprias finanças.
  • Permanecer em uma tarefa mesmo quando o entusiasmo inicial desaparece (o fim da "lua de mel" com o projeto).
  • Aceitar a mediocridade do cotidiano sem sentir-se humilhado por ser "apenas um homem comum".

O processo de individuação para o Puer exige que ele aceite sua natureza mortal e limitada. Ele precisa aprender a amar o "pequeno", o detalhe e o agora. Quando o Puer aceita a disciplina do Senex, sua criatividade deixa de ser um fogo fátuo que brilha e apaga, tornando-se uma luz constante que ilumina e constrói o mundo. A transformação do "Menino Eterno" em um homem adulto não significa a morte da sua criança interior, mas sim a criação de um recipiente forte o suficiente para que essa criança possa viver com segurança na realidade.


O que significa DEBALDE?

Significado e Conceito

Debalde é um advérbio que indica que algo foi feito em vão, sem alcançar o resultado esperado ou sem proveito. Ela transmite a ideia de uma tentativa que não gerou frutos, apesar do esforço empreendido.

Ficha Gramatical

  • Classe Gramatical: Advérbio de modo (ou advérbio de negação/exclusão, dependendo do contexto).

  • Separação Silábica: de-bal-de.

  • Origem: Deriva da preposição de + o substantivo antigo balde (que significava "vão" ou "vazio", vindo do árabe bâtil).

Sinônimos e Antônimos

Para não repetir a palavra em um texto, você pode usar estas alternativas:

  • Sinônimos: Inutilmente, vãmente, em vão, sem efeito, baldadamente.

  • Antônimos: Utilmente, proveitosamente, eficazmente, com sucesso.

Exemplos de Uso

Veja como aplicá-la em diferentes contextos para soar natural:

  • No sentido de esforço perdido:

    "O náufrago gritou debalde por socorro; o som de sua voz era engolido pelo barulho das ondas."

  • No sentido de insistência sem resposta:

    "Procurei as chaves por toda a casa, mas foi tudo debalde; elas haviam ficado no escritório."

  • Em contextos literários:

    "Debalde tentou esconder sua tristeza, pois seus olhos entregavam toda a melancolia que sentia."

Dica de Uso

Embora seja um advérbio, é muito comum vê-la precedida do verbo "ser" na expressão "ser debalde" (ex: "Toda a ajuda foi debalde"). Ela confere um tom mais solene e dramático ao texto do que o simples "foi à toa".



Quanto tempo dura um curso de formação em psicanálise?

Uma formação em psicanálise desperta curiosidade não apenas pela profundidade de seus conteúdos, mas também pela singularidade de seu percurso. Diferentemente de cursos acadêmicos tradicionais, ela não se organiza a partir de um modelo rígido ou padronizado. Cada instituição, cada linha teórica e, sobretudo, cada sujeito envolvido no processo imprime um ritmo próprio à formação. Por isso, quando alguém pergunta “quanto tempo dura um curso de formação em psicanálise?”, a resposta nunca é simples. A psicanálise opera em uma lógica que ultrapassa cronogramas convencionais: trata-se de um campo que exige estudo contínuo, transformação subjetiva e experiência clínica progressiva.

Essa complexidade não é um obstáculo, mas uma característica essencial da prática psicanalítica. A formação envolve pilares que se entrelaçam (teoria, análise pessoal e supervisão) e cada um deles possui uma temporalidade que não pode ser comprimida sem prejuízo da qualidade do trabalho clínico. Além disso, a diversidade de escolas e tradições psicanalíticas faz com que a duração da formação varie amplamente, indo de cursos mais estruturados e longos até percursos mais flexíveis, que se moldam à trajetória individual do futuro analista.

Compreender essa pluralidade é fundamental para quem deseja ingressar na área. Mais do que buscar um número exato de anos, é preciso reconhecer que a formação em psicanálise é, antes de tudo, um processo de construção subjetiva e ética. Este texto explora, em cinco tópicos, os principais elementos que influenciam a duração da formação, as diferenças entre instituições, o papel dos pilares formativos e a razão pela qual o aprendizado psicanalítico nunca se encerra por completo.

A COMPLEXIDADE DA FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE E A AUSÊNCIA DE UM PADRÃO UNIVERSAL

Quando alguém pergunta “Quanto tempo dura um curso de formação em psicanálise?”, a resposta mais honesta é: depende. E não se trata de uma resposta evasiva, mas de um reflexo direto da própria natureza da psicanálise. Ao contrário de formações acadêmicas tradicionais, como psicologia, medicina ou direito, a formação psicanalítica não segue um padrão único, universal ou regulamentado por um conselho federal. Ela é, historicamente, plural, descentralizada e profundamente influenciada pelas tradições das escolas psicanalíticas.

Para entender por que não existe um tempo fixo, é essencial compreender que a psicanálise nasceu como uma prática clínica e teórica que se desenvolveu dentro de sociedades psicanalíticas independentes. Freud, ao fundar a psicanálise, não criou um currículo rígido, mas um conjunto de princípios formativos: estudo teórico, análise pessoal e supervisão clínica. Esses três pilares se tornaram a base da formação psicanalítica em praticamente todas as escolas, mas a forma como cada instituição organiza esses elementos varia enormemente.

Assim, quando falamos em duração, estamos lidando com múltiplas variáveis:

  • A linha teórica da instituição (freudiana, lacaniana, winnicottiana, kleiniana, junguiana, entre outras).
  • O modelo pedagógico adotado.
  • A exigência (ou não) de pré-formação acadêmica.
  • O ritmo individual do aluno.
  • A carga horária mínima estipulada pela instituição.
  • A intensidade da prática clínica supervisionada.
  • A duração da análise pessoal, que é singular e não pode ser padronizada.

Por isso, a formação pode variar de três a dez anos, dependendo da instituição e do percurso do estudante. Em algumas escolas, o aluno só é considerado psicanalista após um longo processo de análise pessoal e supervisão, que pode ultrapassar uma década. Em outras, a formação formal pode durar três ou quatro anos, mas a prática clínica supervisionada continua indefinidamente.

Essa ausência de padronização não é um defeito, mas uma característica intrínseca da psicanálise. Ela reflete a ideia de que o psicanalista não é “formado” apenas por aulas, mas por um processo subjetivo, clínico e ético que não pode ser acelerado artificialmente. A formação é, antes de tudo, uma transformação pessoal.

OS PILARES DA FORMAÇÃO PSICANALÍTICA E SUA RELAÇÃO COM A DURAÇÃO DO CURSO

Para compreender por que a formação em psicanálise costuma ser longa, é fundamental analisar seus três pilares estruturantes: teoria, análise pessoal e supervisão clínica. Cada um deles possui uma temporalidade própria, e a combinação desses tempos determina a duração total da formação.

Estudo teórico

O estudo teórico é o componente mais “acadêmico” da formação. Ele envolve:

  • Leitura sistemática das obras de Freud.
  • Estudo de autores pós-freudianos.
  • Seminários temáticos.
  • Discussões clínicas.
  • Aulas sobre psicopatologia, técnica e ética.

A carga horária teórica varia muito entre instituições. Algumas oferecem cursos com 600 horas; outras ultrapassam 1500 horas. Em geral, esse componente dura de três a cinco anos, dependendo da intensidade das aulas e da estrutura curricular.

Mas o estudo teórico na psicanálise nunca termina. Mesmo após a formação formal, o psicanalista continua estudando ao longo de toda a vida. A psicanálise é um campo em constante expansão, e novas leituras e interpretações surgem continuamente.

Análise pessoal

A análise pessoal é o coração da formação psicanalítica. Freud afirmava que ninguém pode ser psicanalista sem antes ter sido analisado. Isso porque a prática psicanalítica exige que o analista tenha consciência de seus próprios conflitos, mecanismos de defesa e pontos cegos.

A análise pessoal não tem duração fixa. Ela depende:

  • Da estrutura psíquica do analisando.
  • Da frequência das sessões.
  • Da profundidade do processo.
  • Da orientação do analista.

Em muitas instituições, exige-se um mínimo de dois ou três anos de análise pessoal, mas é comum que o processo dure muito mais. Há psicanalistas que permanecem em análise por décadas, não por obrigação institucional, mas por reconhecerem o valor do processo.

A análise pessoal é, portanto, um dos fatores que mais influenciam a duração total da formação.

Supervisão clínica

A supervisão é o momento em que o aluno discute seus atendimentos com um psicanalista experiente. É um processo essencial para o desenvolvimento da técnica e da postura clínica.

A supervisão também não tem tempo fixo. Algumas instituições exigem um número mínimo de horas supervisionadas; outras exigem um número mínimo de casos acompanhados. Em geral, a supervisão se estende por dois a cinco anos, mas muitos psicanalistas continuam supervisionando mesmo após formados.

A supervisão é o espaço onde o aluno aprende a manejar:

Por isso, ela não pode ser apressada. Cada caso clínico tem seu tempo, e o desenvolvimento da escuta analítica é um processo gradual.

AS DIFERENÇAS ENTRE INSTITUIÇÕES E SUAS IMPLICAÇÕES NA DURAÇÃO DA FORMAÇÃO

A psicanálise não é regulamentada por um conselho profissional no Brasil, o que significa que cada instituição tem autonomia para definir sua estrutura formativa. Isso gera uma grande diversidade de modelos, que impactam diretamente a duração do curso.

Instituições tradicionais (como sociedades psicanalíticas clássicas)

As sociedades mais tradicionais, muitas delas filiadas à IPA (International Psychoanalytical Association), costumam ter formações longas, rigorosas e altamente estruturadas. Nesses casos, a formação pode durar de seis a dez anos.

Essas instituições geralmente exigem:

  • Graduação prévia em psicologia ou medicina.
  • Análise pessoal de alta frequência (três a cinco sessões por semana).
  • Supervisão com analistas credenciados.
  • Seminários teóricos extensos.

A formação é vista como um processo profundo e contínuo, e não como um curso com início, meio e fim claramente delimitados.

Instituições lacanianas

As escolas lacanianas, inspiradas na obra de Jacques Lacan, também tendem a ter formações longas, mas com uma lógica diferente. Lacan defendia que o analista se autoriza por si mesmo, mas isso não significa ausência de rigor. Pelo contrário: as escolas lacanianas costumam exigir:

  • Participação em grupos.
  • Seminários teóricos.
  • Supervisão.
  • Análise pessoal prolongada.

A duração média da formação lacaniana varia entre cinco e oito anos, mas pode ser maior dependendo do percurso individual.

Instituições contemporâneas e cursos livres

Nos últimos anos, surgiram muitas instituições que oferecem cursos de formação em psicanálise com duração mais curta, geralmente entre três e quatro anos. Esses cursos são válidos dentro do campo da psicanálise, mas não seguem o modelo das sociedades tradicionais.

Eles costumam ter:

  • Aulas semanais.
  • Seminários temáticos.
  • Supervisão opcional ou obrigatória.
  • Recomendação (ou exigência) de análise pessoal.

Esses cursos são mais acessíveis e flexíveis, mas ainda assim exigem dedicação e estudo contínuo.

Formação autodidata e grupos de estudo

Há também psicanalistas que se formam por meio de grupos de estudo, supervisão independente e análise pessoal, sem vínculo formal com uma instituição. Esse modelo é mais comum em tradições lacanianas e pós-lacanianas, onde a formação é vista como um processo singular.

Nesse caso, a duração é totalmente variável, podendo ultrapassar dez anos.

A RELAÇÃO ENTRE A DURAÇÃO DA FORMAÇÃO E A QUALIDADE DO PSICANALISTA

Uma pergunta frequente é: um curso mais longo forma um psicanalista melhor? A resposta não é simples.

A qualidade do psicanalista depende de múltiplos fatores:

  • A profundidade da análise pessoal.
  • A qualidade da supervisão.
  • A seriedade do estudo teórico.
  • A ética clínica.
  • A capacidade de escuta.
  • A maturidade emocional.
  • A experiência acumulada.

Um curso longo pode oferecer mais oportunidades de amadurecimento, mas não garante, por si só, a formação de um bom analista. Da mesma forma, um curso mais curto não impede que o aluno se torne um excelente psicanalista, desde que ele continue estudando, supervisionando e analisando-se.

A psicanálise é uma prática que exige:

  • Humildade.
  • Paciência.
  • Capacidade de suportar o não saber.
  • Disposição para o estudo contínuo.
  • Compromisso ético.

Essas qualidades não são adquiridas apenas com horas de aula, mas com experiência clínica e transformação subjetiva.

POR QUE A FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE É UM PROCESSO CONTÍNUO E NUNCA SE ENCERRA

Mesmo após concluir um curso formal, o psicanalista não está “pronto”. A formação psicanalítica é contínua e se estende por toda a vida. Isso ocorre por vários motivos.

A psicanálise é um campo em constante evolução

Novas teorias, novas leituras e novas práticas surgem continuamente. O psicanalista precisa acompanhar essas transformações para manter sua prática atualizada.

A clínica é sempre singular

Cada paciente apresenta desafios únicos. A supervisão contínua ajuda o analista a lidar com situações complexas e a evitar erros éticos ou técnicos.

A análise pessoal pode continuar indefinidamente

Muitos psicanalistas permanecem em análise mesmo após formados, não por obrigação, mas por reconhecerem que o processo é uma fonte inesgotável de autoconhecimento.

A formação é também uma postura ética

Ser psicanalista é assumir uma posição ética diante do sofrimento humano. Essa postura exige constante reflexão, estudo e cuidado.

Sugestão de leitura sobre essa temática

Introdução clínica a Freud: Técnicas para a prática cotidiana

Bruce Fink

Nesta obra de referência –– seja para estudantes ou profissionais ––, o renomado psicanalista Bruce Fink oferece uma introdução clínica original a Freud, demonstrando a relevância contemporânea de seus conceitos teóricos para a prática cotidiana de clínicos das mais diversas orientações psicoterapêuticas.

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O que significa ELUCUBRAÇÃO?

Significado

Elucubração refere-se ao ato de refletir intensamente, de pensar de maneira profunda e minuciosa, geralmente sobre um tema complexo. Também pode indicar uma ideia ou teoria produzida após longas reflexões, às vezes até com certo exagero, sugerindo algo rebuscado ou pouco prático.

Em muitos contextos, a palavra traz a nuance de um pensamento elaborado demais, quase fantasioso, fruto de especulação intelectual.

Classe gramatical

  • Substantivo feminino

Separação silábica

  • e-lu-cu-bra-ção

Sinônimos

Alguns sinônimos variam conforme o contexto, indo do sentido neutro ao mais irônico:

  • Reflexão

  • Cogitação

  • Especulação

  • Devaneio

  • Teorização

  • Raciocínio elaborado

  • Conjectura

  • Divagação

Exemplos em frases

  • A tese do pesquisador parecia mais uma elucubração do que uma conclusão baseada em evidências concretas.

  • Depois de horas de elucubração, ela finalmente encontrou uma solução criativa para o problema.

  • O autor encheu o livro de elucubrações filosóficas que exigem atenção redobrada do leitor.

  • Nem todas as suas elucubrações fazem sentido, mas algumas são surpreendentemente brilhantes.



O que significa MÃE SUFICIENTEMENTE BOA para a Psicanálise?

O conceito de Mãe Suficientemente Boa, cunhado pelo pediatra e psicanalista britânico Donald Winnicott, é uma das contribuições mais humanas e libertadoras da história do estudos da psiquê. Longe de ser uma fórmula de perfeição, essa teoria surge como um antídoto para a culpa materna e um roteiro para o desenvolvimento de um eu saudável.



A Origem do Conceito e o Ambiente Facilitador

Para entender a "mãe suficientemente boa", precisamos primeiro entender o contexto de Donald Winnicott. Atuando durante e após a Segunda Guerra Mundial, ele observou milhares de díades (mãe-bebê) e percebeu que o desenvolvimento emocional não dependia apenas de instintos biológicos, mas da qualidade do ambiente. Para Winnicott, o bebê não existe sozinho; ele existe em uma relação.

O termo surge para descrever a mãe (ou o cuidador principal) que consegue se adaptar às necessidades do bebê de forma total no início, mas que, gradualmente, falha de maneira controlada. Essa "falha" não é negligência; é o que permite que a criança perceba que o mundo não é uma extensão de seus desejos.

Diferente das teorias que buscavam uma "mãe ideal", Winnicott valorizava a mãe real. A mãe idealizada seria aquela que satisfaz todos os desejos instantaneamente para sempre, o que, paradoxalmente, impediria o crescimento psíquico do filho. A mãe suficientemente boa é aquela que fornece o que ele chama de Ambiente Facilitador, um espaço seguro onde o bebê pode passar do estado de "dependência absoluta" para a "dependência relativa" e, finalmente, rumo à independência.

A Preocupação Materna Primária e a Ilusão de Onipotência

Nos primeiros meses de vida, a mãe suficientemente boa entra em um estado mental que Winnicott denominou Preocupação Materna Primária. É uma espécie de "doença normal" ou estado de hipersensibilidade onde a mãe se identifica de tal forma com o recém-nascido que consegue antecipar quase todas as suas necessidades: fome, frio, desconforto ou sono.

Nessa fase, a função da mãe é prover a Ilusão. Quando o bebê sente fome e o seio (ou a mamadeira) aparece quase instantaneamente, ele tem a sensação mágica de que ele criou aquele objeto. Essa experiência de onipotência subjetiva é vital. Ela dá à criança a base de segurança necessária para sentir que o mundo é um lugar confiável e que seus desejos têm impacto na realidade.

"A mãe suficientemente boa começa com uma adaptação quase total às necessidades de seu bebê e, à medida que o tempo passa, ela se adapta cada vez menos completamente, de acordo com a crescente capacidade do bebê em lidar com o fracasso dela." — D.W. Winnicott

Se essa fase de adaptação total for bem-sucedida, o bebê desenvolve um "núcleo de ser" sólido. Sem essa fase inicial de onipotência, o indivíduo pode crescer sentindo que o mundo é um lugar caótico e invasivo, onde ele precisa estar constantemente em guarda.

O Valor da Falha Gradual e a Desilusão Necessária

Este é o ponto onde o conceito se torna verdadeiramente revolucionário: a mãe torna-se "suficientemente boa" justamente por ser imperfeita. À medida que o bebê cresce, a mãe retoma sua própria vida, seus interesses, seu cansaço e suas limitações. Ela não chega mais no exato segundo em que o bebê chora; ela demora um pouco mais para preparar o banho; ela começa a falhar na adaptação total.

Essas pequenas falhas são o que chamamos de Desilusão. Se a desilusão ocorrer de forma gradual e em um ritmo que o bebê consiga suportar, ela é extremamente saudável. É através dessa lacuna entre o desejo e a satisfação que o pensamento nasce. O bebê começa a entender: "Eu sou eu, e minha mãe é outra pessoa".

Se a mãe continuasse sendo "perfeita" e antecipasse tudo para sempre, o filho nunca desenvolveria os próprios recursos psíquicos. A "falha" da mãe obriga a criança a simbolizar, a chorar para pedir, a usar a imaginação e a reconhecer a existência de uma realidade externa que não está sob seu controle total. Portanto, a mãe que se sente culpada por não ser onipresente está, na verdade, prestando um serviço essencial ao desenvolvimento da autonomia do filho.



Holding e a Função de Sustentação

Winnicott utiliza o termo Holding (sustentação) para descrever não apenas o ato físico de segurar o bebê, mas a sustentação psicológica do seu ego ainda frágil. A mãe suficientemente boa funciona como um "contêiner" para as angústias do bebê. Quando o bebê entra em colapso ou sente um medo terrível de "se despedaçar", a mãe está lá para integrá-lo novamente através do toque, do olhar e da voz.

O holding protege o bebê de "invasões" ambientais que ele ainda não consegue processar. Imagine o psiquismo do bebê como um cristal em formação; o holding é a mão que protege esse cristal do vento forte.

Ligado ao holding, temos o conceito de Handling (manejo), que é a forma como o corpo do bebê é manipulado. O cuidado físico adequado ajuda o bebê a sentir que sua mente reside dentro de seu corpo. Quando a mãe é suficientemente boa, ela permite que o filho alcance a Integração, transformando uma série de sensações desconexas em uma sensação de unidade: "Eu existo, eu sou um só".

Verdadeiro Self versus Falso Self

A maior consequência de ter (ou não ter) uma mãe suficientemente boa reflete-se na constituição do Self.

  • Verdadeiro Self: Surge quando os gestos espontâneos do bebê são acolhidos e validados pela mãe. A criança sente que pode ser autêntica, criativa e até "madrasta" às vezes, sem perder o amor do cuidador.
  • Falso Self: Surge quando a mãe não consegue se adaptar ao bebê e exige que o bebê se adapte a ela. Se a mãe é depressiva, instável ou excessivamente rígida, o bebê aprende a esconder suas necessidades reais para "proteger" a mãe ou para sobreviver ao ambiente. Ele desenvolve uma máscara de "bom menino" ou "criança perfeita", mas por dentro sente-se vazio e irreal.

A mãe suficientemente boa permite que o filho seja "mau", barulhento e exigente, porque ela sobrevive aos ataques dele sem retaliar ou desaparecer. Essa sobrevivência da mãe ao ódio e à agressividade do bebê (fases normais do desenvolvimento) ensina à criança que os seus impulsos não destroem o mundo e que o amor é resiliente.

Ser uma mãe suficientemente boa significa ter a coragem de ser humana. É aceitar que o erro faz parte do processo educativo e que o amor não se manifesta na ausência de falhas, mas na capacidade de reparar os vínculos e sustentar a existência do outro enquanto ele aprende a caminhar com as próprias pernas.

Sugestão de leitura sobre essa temática

Bebês e suas mães: 2

Donald Wood Winnicott

Entre os termos clássicos cunhados por Winnicott e aqui descritos está o segurar [holding] – como metonímia da forma como a mãe fornece sustentação para que seu filho se torne uma pessoa saudável –, a mãe suficientemente boa – que não é nem onipotente e procura sanar qualquer sofrimento do filho, nem ausente e distante, deixando a criança em desamparo –, e o ambiente facilitador – que propicia tanto o desenvolvimento do bebê quanto as falhas necessárias para a constituição de sua identidade.

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O que são ADICÇÕES para a Psicanálise?

A adicção, embora seja um termo mais frequentemente associado à medicina, à psiquiatria e às ciências comportamentais, possui um lugar teórico e clínico muito particular dentro da psicanálise. Desde Freud até autores contemporâneos, a compreensão do fenômeno adictivo ultrapassa a ideia de dependência química ou comportamental, alcançando dimensões estruturais do sujeito, modos de lidar com o desejo, com a angústia e com a economia pulsional. A psicanálise não reduz a adicção a um problema de substância, mas a entende como uma forma específica de relação do sujeito com o objeto, com o corpo e com o gozo.

Ao mesmo tempo, o conceito de fixação, central na teoria freudiana, oferece uma chave de leitura fundamental para compreender por que certos sujeitos se tornam mais vulneráveis a comportamentos adictivos. A fixação, entendida como um enraizamento libidinal em determinadas fases do desenvolvimento ou em certos modos de satisfação, cria pontos de rigidez na economia psíquica que podem servir de base para a formação de sintomas, incluindo as adicções.

O objetivo deste texto é explorar, de forma aprofundada, o significado da adicção para a psicanálise e sua relação íntima com as fixações, articulando conceitos fundamentais, desenvolvimentos teóricos e implicações clínicas.

A Adicção como Modo de Relação com o Objeto

Na psicanálise, a adicção não é compreendida apenas como dependência de uma substância ou de um comportamento, mas como uma modalidade de laço com o objeto. Esse objeto pode ser químico (álcool, drogas, medicamentos), comportamental (jogo, sexo, compras, comida), ou mesmo simbólico (relações, ideais, padrões). O que define a adicção não é o objeto em si, mas a forma como o sujeito se relaciona com ele.

O objeto como suplência do desejo

Para Freud, o desejo é estruturalmente marcado pela falta. O sujeito humano é constituído por uma incompletude fundamental, e é essa falta que impulsiona o desejo. No entanto, o adicto tenta abolir essa falta por meio de um objeto que promete uma satisfação imediata, totalizante e repetitiva. A adicção, portanto, funciona como uma tentativa de tamponar a falta estrutural, oferecendo ao sujeito uma ilusão de completude.

O objeto adictivo, nesse sentido, não é apenas algo que dá prazer, mas algo que ocupa o lugar de um operador psíquico: ele regula a angústia, organiza o cotidiano, estrutura o tempo e o corpo. Ele se torna uma espécie de prótese subjetiva.

A repetição como marca da compulsão

Freud descreveu a compulsão à repetição como um fenômeno que ultrapassa o princípio do prazer. Na adicção, essa compulsão se manifesta de forma evidente: o sujeito repete o ato adictivo mesmo quando ele já não produz prazer, mesmo quando causa sofrimento, prejuízo ou risco. A repetição, nesse caso, não visa ao prazer, mas à manutenção de uma economia psíquica que depende daquele objeto para não se desorganizar.

A adicção, portanto, é menos sobre prazer e mais sobre necessidade. O sujeito não busca o gozo, mas a suspensão da angústia. O objeto adictivo funciona como um operador de estabilização.

O gozo como excesso

Lacan introduz o conceito de gozo para designar um tipo de satisfação que ultrapassa o prazer e que, muitas vezes, é vivida como sofrimento. O adicto busca esse gozo, que é ao mesmo tempo atraente e destrutivo. O objeto adictivo permite ao sujeito acessar um gozo que contorna o simbólico, isto é, que não passa pela mediação da linguagem, da lei ou do Outro.

Por isso, a adicção é frequentemente descrita como uma relação solitária: o sujeito se isola, rompe laços, evita o Outro. O objeto adictivo é um parceiro absoluto, que não exige nada, não fala, não frustra, mas cobra um preço alto.

Fixações na Teoria Freudiana: Fundamentos e Implicações

O conceito de fixação é central na teoria do desenvolvimento psicossexual de Freud. Ele se refere ao enraizamento da libido em determinadas zonas erógenas, fases ou modos de satisfação. A fixação ocorre quando o sujeito encontra, em algum ponto do desenvolvimento, uma forma de satisfação tão intensa ou tão problemática que não consegue abandoná-la completamente.

Fixações e regressões

A fixação é o ponto onde a libido permanece ancorada. A regressão é o movimento de retorno a esse ponto quando o sujeito enfrenta conflitos ou frustrações. Em situações de angústia, o sujeito pode regredir a modos de satisfação mais primitivos, mais imediatos e menos mediados pelo simbólico.

A adicção, nesse sentido, pode ser compreendida como uma forma de regressão: o sujeito retorna a um modo de satisfação que dispensa a complexidade das relações humanas e oferece uma gratificação direta.

Fixações e organização pulsional

Freud descreveu três fases principais do desenvolvimento psicossexual: oral, anal e fálica. Cada uma delas está associada a modos específicos de satisfação e de relação com o objeto.

  • Na fase oral, o objeto é incorporado; a satisfação está ligada à ingestão, à fusão, à dependência.
  • Na fase anal, o objeto é expelido; a satisfação envolve controle, retenção, expulsão.
  • Na fase fálica, o objeto é simbólico; a satisfação envolve identificação, rivalidade, lei.

As fixações podem ocorrer em qualquer uma dessas fases, e cada tipo de fixação pode predispor o sujeito a formas específicas de adicção.

Por exemplo:

  • Fixações orais podem se manifestar em adicções relacionadas à ingestão (álcool, comida, drogas).
  • Fixações anais podem se manifestar em adicções relacionadas ao controle (jogo, trabalho compulsivo).
  • Fixações fálicas podem se manifestar em adicções relacionadas ao poder, ao risco ou à performance.

Fixações e traumas

Freud também relaciona fixações a experiências traumáticas. Quando o sujeito vivencia um trauma em determinada fase do desenvolvimento, a libido pode ficar fixada naquele ponto como forma de defesa. A adicção, nesse caso, pode funcionar como uma tentativa de lidar com o trauma, oferecendo uma satisfação que anestesia a dor psíquica.

A Relação entre Adicção e Fixações: Uma Leitura Psicanalítica

A articulação entre adicção e fixações é profunda e multifacetada. A adicção pode ser compreendida como uma manifestação contemporânea de fixações arcaicas, que retornam sob a forma de comportamentos compulsivos.

A adicção como retorno do recalcado

A fixação cria um ponto de vulnerabilidade na economia psíquica. Quando o sujeito enfrenta situações de angústia, conflito ou perda, pode regredir a esse ponto fixado. A adicção, nesse sentido, é um retorno do recalcado: um modo de satisfação primitivo que ressurge para lidar com tensões psíquicas.

Esse retorno não é consciente. O sujeito não escolhe ser adicto; ele é capturado por uma lógica pulsional que o ultrapassa.

O objeto adictivo como substituto do objeto primário

A fixação está frequentemente ligada às primeiras relações do sujeito, especialmente com a mãe ou com o cuidador primário. Quando essa relação é marcada por falta, excesso, inconsistência ou trauma, o sujeito pode desenvolver uma fixação oral que, mais tarde, se manifesta como adicção.

O objeto adictivo, nesse caso, funciona como um substituto do objeto primário: ele oferece uma satisfação imediata, sem exigências, sem frustrações. Ele é, de certa forma, um “seio químico”, um “seio simbólico”, um “seio comportamental”.

A adicção como defesa contra a angústia

A fixação cria um ponto de retorno possível quando o sujeito enfrenta a angústia. A adicção é uma defesa contra essa angústia: ela oferece uma solução rápida, eficaz e repetitiva. O sujeito adicto não busca prazer, mas alívio. Ele tenta evitar o encontro com a falta, com o desejo, com o Outro.

A adicção como falha na simbolização

A fixação impede o pleno desenvolvimento da capacidade de simbolização. O sujeito fixado tem dificuldade de lidar com a falta, com a espera, com a frustração. Ele busca soluções concretas, imediatas, corporais. A adicção é uma expressão dessa falha na simbolização: o sujeito recorre ao corpo, à substância ou ao ato para lidar com questões que deveriam ser elaboradas simbolicamente.

Perspectivas Contemporâneas: Lacan, Winnicott e Outros Autores

A psicanálise contemporânea ampliou a compreensão da adicção, incorporando novos conceitos e abordagens clínicas.

Lacan: o objeto a e o gozo

Para Lacan, a adicção está ligada ao objeto a, o objeto causa do desejo. O objeto adictivo funciona como um objeto a que o sujeito tenta capturar, mas que nunca se deixa capturar completamente. A adicção é uma tentativa de preencher a falta estrutural, mas essa tentativa está fadada ao fracasso, o que leva à repetição compulsiva.

Além disso, Lacan descreve o gozo como algo que ultrapassa o prazer e que pode ser destrutivo. O adicto busca esse gozo, que é ao mesmo tempo atraente e devastador.

Winnicott: falhas ambientais e uso de objetos

Winnicott oferece uma perspectiva importante ao destacar o papel do ambiente. Para ele, a adicção pode surgir quando o ambiente falha em oferecer holding, continência e espelhamento adequados. O sujeito, então, recorre a objetos externos para suprir essa falha.

O objeto adictivo, nesse sentido, funciona como um objeto transicional patológico: ele oferece uma ilusão de controle e de segurança, mas impede o desenvolvimento da autonomia.

Outros autores

Autores como Joyce McDougall, Christopher Bollas e André Green também contribuíram para a compreensão da adicção como fenômeno psíquico complexo, ligado a falhas na simbolização, a traumas precoces e a dificuldades na constituição do self.

Implicações Clínicas: Tratamento, Transferência e Manejo

A clínica da adicção é desafiadora. O sujeito adicto frequentemente apresenta resistência, acting out, rupturas na transferência e dificuldades de simbolização. No entanto, a psicanálise oferece ferramentas valiosas para compreender e tratar esses sujeitos.

A transferência na adicção

A transferência pode ser marcada por idealização, desconfiança, dependência ou rejeição. O analista deve manejar essas manifestações com cuidado, evitando tanto a fusão quanto o abandono.

O manejo do acting out

O acting out é comum na adicção. O sujeito age em vez de falar. O analista deve interpretar o sentido desse acting out, sem moralizar ou punir.

A importância do enquadre

O enquadre é fundamental para oferecer ao sujeito uma experiência de estabilidade e de continência que ele não teve no passado.

A construção de novos modos de satisfação

O objetivo da análise não é abolir o desejo ou o gozo, mas permitir que o sujeito encontre modos de satisfação menos destrutivos, mais simbólicos e mais integrados.

Considerações Finais

A adicção, na psicanálise, é muito mais do que dependência. É uma forma de relação com o objeto, com o corpo e com o gozo. É uma tentativa de lidar com a falta, com a angústia e com falhas na simbolização. As fixações desempenham papel central nesse processo, oferecendo pontos de retorno que estruturam a compulsão adictiva. Compreender a adicção a partir da psicanálise é reconhecer que o sujeito adicto não é apenas alguém que perdeu o controle, mas alguém que encontrou, na adicção, uma solução precária para conflitos psíquicos profundos.

Sugestão de leitura sobre essa temática

Psicanálise das Adicções

Gérard Pilot

Drogas ilícitas, jogo, comida, sexo, pornografia, computadores, internet, games, exercícios, trabalho, TV, compras etc. A partir da psicanálise freudiana, o autor aborda os conflitos, sofrimentos e dramas relacionados às psicopatologias decorrentes dos diversos tipos de vícios, dependências psicológicas e compulsões presentes na sociedade atual.

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Curso Gratuito de Introdução à Libras

Pessoal se comunicando em Libras.

A Escola Virtual de Governo (EV.G), plataforma da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), oferece o curso online e gratuito de Introdução à Libras. A iniciativa, realizada em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, visa promover a inclusão e facilitar a comunicação entre servidores públicos e a comunidade surda.

A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é reconhecida por lei como meio legal de comunicação e expressão no Brasil. A capacitação busca preparar não apenas agentes públicos, mas qualquer cidadão interessado em aprender as bases do idioma para oferecer um atendimento mais humanizado e acessível.

Detalhes da Capacitação

O curso é autoinstrucional, permitindo que o aluno estude no seu próprio ritmo. Confira os principais pontos:

  • Carga Horária: 60 horas.

  • Prazo de Conclusão: 60 dias após a inscrição.

  • Público-alvo: Aberto a qualquer pessoa (servidores e cidadãos em geral).

  • Certificação: Gratuita, emitida pela Enap após a conclusão das atividades com aproveitamento.

Conteúdo Programático

A estrutura do curso equilibra teoria social e prática linguística, dividida em módulos que abrangem:

1. Surdez e sociedade

1.1. Causas, descoberta e graus de perda auditiva

1.2. Perspectiva ouvintista e socioantopológica

1.3. Legislação sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras)

1.4. Comunicação com surdos

1.5. Identidade e cultura surda

2. Prática de Libras: primeiro contato, alfabeto manual e pronomes pessoais

3. Prática de Libras: expressões faciais e família

4. Prática de Libras: calendário e números em Libras

5. Prática de Libras: casas e cômodos

6. Prática de Libras: meios de transporte

7. Prática de Libras: animais e classificadores

8. Prática de Libras: profissões

Importante: Por ser um curso da modalidade MOOC (Massive Open Online Course), as inscrições podem ser feitas a qualquer momento, com início imediato das aulas no ambiente virtual.

Como se inscrever

Os interessados devem acessar o portal oficial da Escola Virtual.Gov e buscar pelo curso "Introdução à Libras" ou utilizar o link direto disponível na plataforma. É necessário realizar um breve cadastro para acessar o conteúdo.



Curso gratuito ensina práticas participativas para reduzir riscos de desastres em escolas e comunidades

Ilustração de curso gratuito sobre práticas participativas para prevenção de desastres em escolas e comunidades, com personagens engajados em atividades educativas como cartografia social e história oral.


Um novo curso disponibilizado pela Escola Virtual Gov está oferecendo formação gratuita para gestores, professores, agentes de defesa civil e lideranças comunitárias interessados em fortalecer ações de prevenção e redução de riscos de desastres em seus territórios. A iniciativa, intitulada “Atividades de Ciência Participativa”, integra metodologias educativas e práticas colaborativas voltadas à mobilização social e ao entendimento do ambiente local.

Com carga horária de 40 horas e certificado emitido pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap), o curso foi desenvolvido pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden). Os participantes têm 60 dias para concluir as atividades após a inscrição, que pode ser feita a qualquer momento.

A formação aborda temas como cartografia social, história oral, análise da vulnerabilidade escolar e a Jornada Com-VidAção, metodologia que incentiva a leitura crítica do território e a ação coletiva. O conteúdo está organizado em quatro módulos:

  • Cartografia Social
  • História Oral
  • Nossa escola é vulnerável?
  • Com-VidAção 

O curso destaca-se por sua proposta de aproximar escolas e comunidades de práticas investigativas que contribuem para a construção de ambientes mais seguros e resilientes. Por ser totalmente online e gratuito, amplia o acesso à capacitação em gestão de riscos, tema cada vez mais relevante diante dos desafios climáticos e sociais enfrentados pelo país.

Acesse mais informações no site: Escola Virtual Gov